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Museu da Vida Romântica de Paris reabre após mais de um ano fechado

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Paris nunca precisou de uma data no calendário para ser romântica. Ainda assim, o Dia dos Namorados europeu, celebrado em 14 de fevereiro, ganha um significado especial em 2026, com a reabertura do Musée de la Vie Romantique (Museu da Vida Romântica), em Pigalle, após 17 meses fechado para obras.

Para os brasileiros, a coincidência pode não ser perfeita – afinal, por aqui o amor se comemora só em 12 de junho. Mas talvez aí esteja o charme: quem não puder estar em Paris na reabertura pode guardar o passeio para o nosso Dia dos Namorados, comemorado durante a primavera europeia, quando o jardim floresce e o romantismo do lugar parece ainda mais à vontade.

Da casa de Ary Scheffer ao Museu da Vida Romântica

Instalado em um discreto pavilhão do século 19, no bairro de Nouvelle Athènes, no 9º arrondissement, o museu passou por 17 meses de obras, que buscaram devolver ao espaço a atmosfera de uma verdadeira casa de artista do período romântico, aliando conforto e acessibilidade para tornar a visita mais imersiva.

Antes de se tornar museu, o edifício foi a residência do pintor Ary Scheffer, um dos nomes do Romantismo francês. Construída em 1830, a casa sobreviveu às grandes reformas urbanas conduzidas por Haussmann e preserva uma configuração hoje rara em Paris, com fachada em estilo italiano, jardins arborizados e ateliês iluminados por tetos de vidro.

Foi ali que, durante décadas, artistas, escritores, músicos e pensadores se reuniram para trocar ideias, tocar música, discutir política e criar. Entre os frequentadores estavam nomes como George Sand, Frédéric Chopin, Eugène Delacroix, Franz Liszt e até Charles Dickens. Hoje, caminhar por esses cômodos é, de certa forma, atravessar o mesmo espaço onde essas conversas aconteceram, embaladas pelo espírito de “república das artes e das letras”.

A partir de 1987, sob a orientação da curadora Anne-Marie de Brem, o espaço se tornou museu. O estúdio passou a receber exposições temporárias, os objetos pessoais de George Sand foram apresentados em ambientes que evocavam uma casa habitada e o nome Museu da Vida Romântica foi adotado. Logo depois, no ano seguinte, o local ganhou um pequeno salão de chá.

O museu pós restauração

Fechado desde setembro de 2024, o Museu da Vida Romântica passou por uma reforma avaliada em 3,8 milhões, financiada com apoio da Prefeitura de Paris e de campanhas de arrecadação. Segundo a própria instituição, as intervenções incluíram a restauração completa do pavilhão, melhorias estruturais, reorganização do percurso expositivo e um redesenho total da sinalização interna e externa.

A acessibilidade também foi um dos focos centrais da obra. O jardim ganhou caminhos adaptados, o pátio foi nivelado e ferramentas de mediação sensorial e digital passaram a integrar a visita – com recursos pensados para pessoas com deficiência visual, auditiva ou mobilidade reduzida. No coração do pátio, uma nova área de recepção reúne bilheteria, guarda-volumes e loja, tornando a visita confortável.

A fachada recuperou sua tonalidade original, com respeito aos materiais e às técnicas do período, incluindo a substituição do verde das janelas pela cor marrom, historicamente usada no edifício. No interior, a cenografia foi revista para reforçar a sensação de estar em uma casa burguesa do Romantismo, com tecidos nas paredes, paletas de cores específicas para cada ambiente, pisos restaurados e trilhas sonoras que combinam música e leituras, recriando o clima íntimo e artístico da época.

Museu da Vida Romântica Paris

O Romantismo em foco

Em vez de corações de chocolate ou comédias românticas, o museu propõe um mergulho no Romantismo como movimento artístico, marcado pela valorização da emoção, da natureza, da literatura e da imaginação, em contraponto à razão e à industrialização do século 19.

O percurso pelas coleções permanentes, que seguem gratuitas, foi reorganizado em dois andares. No térreo, o foco é a vida artística parisiense, com destaque para Ary Scheffer e sua rede de relações, além de uma sala inteiramente dedicada a George Sand, figura central do Romantismo literário e intelectual. Já no andar superior, quatro grandes temas do Romantismo estruturam a visita – natureza, emoção, literatura e fantástico – mostrando como pintura, música e escrita se entrelaçavam nesse período.

Para celebrar o retorno, o museu inaugura também a exposição temporária Face au Ciel (“Diante do Céu”), dedicada ao pintor Paul Huet. Em cartaz de 14 de fevereiro a 30 de agosto, o conjunto reúne cerca de 50 obras que exploram o céu como elemento expressivo, ora luminoso, ora tempestuoso. Organizada em cinco núcleos temáticos, a mostra percorre a trajetória de Huet, situa seu trabalho ao lado de outros nomes fundamentais do século 19 e reforça sua dimensão poética na pintura de paisagem.

Além das salas expositivas, o Museu da Vida Romântica mantém seu caráter de refúgio em Paris. O jardim, especialmente atraente na primavera, e o salão de chá instalado na estufa – agora com acesso facilitado – seguem como parte essencial da experiência de visita.

Museu da Vida Romântica Paris

Serviço

Onde? Rue Chaptal, 16 – 75009 – Paris 

Quando? De terça-feira a domingo, das 10h às 18h.

Quanto?  Entrada gratuita para a coleção permanente. Exposição Face au Ciel com ingressos entre € 10 e € 12

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Fonte: viagemeturismo

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