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Mulher relata luta de 10 anos contra vício em apostas em Cuiabá: Fazia coisas absurdas e não conseguia parar

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2026

O que começou como diversão se transformou em mais de uma década de dependência, mentiras e prejuízos. Moradora de Cuiabá, uma mulher que prefere não se identificar encontrou nos Jogadores Anônimos apoio para romper o ciclo das apostas e está há nove meses sem jogar.

O vício começou há mais de dez anos. Ela chegou a fazer tratamento e acreditou que havia conseguido superar a dependência, mas, durante a pandemia, teve uma recaída. Mesmo percebendo as consequências do jogo, conta que não conseguia parar. “Eu fazia coisas absurdas e, mesmo sabendo que era absurdo, não conseguia parar de jogar”, relata. Veja vídeo abaixo:

Com o passar do tempo, as mentiras se acumularam e a situação se tornou insustentável. Foi então que ela decidiu pedir ajuda à família.

Depois de um período longe dos jogos, porém, veio uma nova recaída. Desta vez, o filho percebeu que ela havia voltado a apostar. “Meu filho já sabia que eu tinha jogado. Foi o momento mais desesperador da minha vida”, conta.

Recomeço após mais uma recaída

Depois desse episódio, a cuiabana procurou ajuda na internet e encontrou os Jogadores Anônimos. Ela enviou um e-mail e recebeu o convite para participar de uma reunião online de acolhimento, onde conheceu outras pessoas que enfrentavam o mesmo problema.

Há nove meses, ela não aposta. “Em Jogadores Anônimos, a gente consegue ficar um dia sem jogar, um dia de cada vez. Dia após dia, a gente vai se reforçando e, em determinado momento, você deixa de sentir vontade de jogar”, afirma.

A participação no grupo é gratuita e a identidade dos integrantes é preservada. Familiares de pessoas que enfrentam problemas com jogos também podem buscar orientação.

Milhões de brasileiros enfrentam problemas com jogos

A história da cuiabana faz parte de um problema que atinge milhões de pessoas no país. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, cerca de 10,8 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais jogam de forma considerada arriscada ou problemática.

A dificuldade para abandonar as apostas está relacionada, entre outros fatores, aos mecanismos de recompensa do cérebro. A expectativa de ganhar estimula a liberação de dopamina e pode reforçar o comportamento de continuar jogando, mesmo diante de sucessivas perdas.

O acesso facilitado também amplia o problema. Com poucos toques na tela do celular, é possível entrar em plataformas e fazer apostas a qualquer hora.

As consequências podem ir muito além do dinheiro perdido. Pessoas que desenvolvem dependência podem acumular dívidas, comprometer necessidades básicas e se afastar de familiares e amigos.

Vereador de Cuiabá também revelou vício

Kássio Coelho afirmou que chegou a comprometer o sustento da família. – Vídeo: Câmara de Cuiabá

No mês passado, durante uma sessão na Câmara de Cuiabá, o vereador Kássio Coelho revelou publicamente que também enfrentou o vício em jogos de azar e chegou a comprometer o sustento da própria família.

Ao falar sobre a juventude, ele contou que passava longos períodos jogando bilhar, baralho e sinuca. O dinheiro que deveria ser usado em casa acabava destinado aos jogos. “Eu acabava tirando da minha família e colocando em jogo, achando que alguma vez iria ganhar”, relata.

Segundo Cássio, a dependência provocou dificuldades financeiras e familiares e contribuiu para o fim do relacionamento que mantinha naquela época.

Onde buscar ajuda

Quem percebe que perdeu o controle sobre as apostas pode buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma das portas de entrada é o Meu SUS Digital, que disponibiliza um autoteste relacionado ao comportamento de apostas. A partir do resultado, o usuário pode ser orientado a procurar atendimento na rede pública.

O acompanhamento pode envolver psicólogos e psiquiatras e é definido de acordo com a situação de cada pessoa. Em determinados casos, a família também participa do processo, inclusive ajudando temporariamente na organização das finanças.

Para a cuiabana que passou mais de uma década enfrentando o vício, a recuperação deixou de ser uma promessa de nunca mais apostar. Agora, o objetivo é mais simples: vencer um dia de cada vez.

Fonte: primeirapagina

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