– O Ministério Público de Mato Grosso se posicionou contra o recurso apresentado por Carlos Alberto Gomes Bezerra, condenado a 36 anos de prisão pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno, ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá.
Em manifestação encaminhada à Justiça, o órgão ministerial sustentou que a sentença proferida após julgamento pelo Tribunal do Júri não apresenta falhas que justifiquem a revisão da pena.
A defesa do condenado protocolou embargos de declaração alegando inconsistências na forma como a pena foi calculada. O argumento central é de que os dois homicídios teriam sido motivados por uma única razão: a inconformidade de Carlos Alberto com o término do relacionamento com Thays. Com isso, os advogados buscam uma nova dosimetria que poderia reduzir o tempo total de prisão.
Para o promotor Rodrigo Ribeiro Domingues, que atuou no julgamento, o recurso demonstra apenas discordância com o resultado obtido no Júri Popular. Segundo ele, não foram identificadas contradições ou omissões na sentença assinada pela juíza Mônica Perri.
Na manifestação, o Ministério Público destaca que, embora a motivação dos crimes tenha sido a mesma, a execução das mortes ocorreu de forma independente. Conforme o entendimento apresentado, Carlos Alberto teria tomado decisões distintas para matar cada uma das vítimas.
O parecer ressalta que, após atirar contra Thays, o réu continuou perseguindo Willian, que tentou escapar do local. Mesmo durante a fuga, a vítima foi alcançada por diversos disparos. Para o Ministério Público, essa sequência evidencia uma intenção específica e autônoma de eliminar cada uma das vítimas.
“A conduta dirigida à segunda vítima demonstra decisão independente de matar, caracterizando pluralidade de desígnios, ainda que a motivação geral dos fatos tenha sido a mesma”, sustentou o promotor.
Carlos Alberto foi condenado pelo Tribunal do Júri em julho deste ano pelos assassinatos praticados em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil. As investigações apontaram que ele monitorava os deslocamentos de Thays e Willian desde o dia anterior ao crime e preparou uma emboscada para executar o casal.
De acordo com a acusação, os homicídios foram cometidos por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas. No caso de Thays, o crime também foi reconhecido como feminicídio, praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.
Durante o processo, o Ministério Público demonstrou que Carlos Alberto não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira de forma insistente nos meses que antecederam os assassinatos.
Na sentença, a juíza Mônica Perri fixou pena de 20 anos pela morte de Thays Machado e 16 anos pelo assassinato de Willian César Moreno, totalizando 36 anos de reclusão. A magistrada também negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, determinando a continuidade da prisão para cumprimento imediato da pena.
Atualmente, Carlos Alberto Gomes Bezerra permanece custodiado no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, enquanto aguarda a análise do recurso pela Justiça.
Fonte: odocumento





