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Mineração de Asteroides: Possibilidades, Vantagens e Obstáculos que Enfrentamos

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  • Durante os últimos anos, a mineração de asteroides foi tratada como um dos próximos grandes saltos da economia espacial. A ideia envolve explorar esses corpos diretamente no espaço, em objetos rochosos que orbitam próximos ao planeta.

    Com a entrada de empresas privadas no setor espacial e a redução gradual dos custos de lançamento de foguetes, agências e companhias passaram a considerar com mais seriedade a possibilidade de enviar sondas para extrair água e metais.

    O entusiasmo, porém, esfriou. Iniciativas fracassaram, a tecnologia mostrou-se mais complexa do que o previsto e o setor voltou sua atenção para objetivos considerados mais imediatos, como missões lunares.

    Ainda assim, a ideia nunca foi abandonada. Um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, busca entender quão viável é, de fato, minerar asteroides.

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    A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto de Ciências Espaciais (ICE-CSIC), na Espanha, e se concentrou nos chamados asteroides do tipo C, ou carbonáceos. Esses corpos representam cerca de 75% dos asteroides conhecidos e são considerados remanescentes pouco alterados da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

    São também os que deram origem aos condritos carbonáceos, um tipo raro de meteorito – fragmentos de asteroides que caem naturalmente na Terra – que corresponde a apenas 5% das quedas registradas.

    Diferentemente dos asteroides, que permanecem no espaço, os meteoritos permitem aos cientistas estudar esse material sem a necessidade de missões espaciais.

    Esses meteoritos são valiosos justamente por sua fragilidade. Ricos em compostos de carbono, água incorporada em minerais e elementos químicos primitivos, eles preservam características muito próximas das dos asteroides originais.

    Ao mesmo tempo, essa fragilidade faz com que se fragmentem facilmente ao atravessar a atmosfera terrestre, o que explica por que raramente são recuperados intactos.

    A maior parte das amostras conhecidas foi encontrada em regiões extremas, como desertos do Saara e da Antártica, onde a escassez de umidade e de atividade biológica reduz reações químicas e retarda a degradação do material ao longo do tempo.

    Para o estudo, os pesquisadores selecionaram e caracterizaram diferentes condritos carbonáceos e os submeteram a análises detalhadas por espectrometria de massa, técnica capaz de identificar com precisão os elementos químicos presentes em um material. As medições foram conduzidas na Universidade de Castilla-La Mancha, sob coordenação do professor Jacinto Alonso-Azcárate.

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    Imagem de um meteorito rico em carbono, analisado no estudo. (J.M.Trigo-Rodríguez/ICE-CSIC./Reprodução)

    O objetivo era determinar a composição química das seis classes mais comuns desses meteoritos e avaliar até que ponto seus corpos de origem poderiam, no futuro, servir como fonte de recursos.

    “Cada um desses meteoritos representa um pequeno asteroide indiferenciado e fornece informações valiosas sobre a composição química e a história evolutiva do corpo do qual se originou”, afirmou Josep Trigo-Rodríguez, primeiro autor do estudo, em comunicado.

    Asteroides indiferenciados são aqueles que nunca se organizaram internamente em camadas, como núcleo metálico e manto rochoso. Em vez disso, mantiveram uma mistura relativamente homogênea de minerais desde sua formação, o que limita a concentração natural de metais valiosos.

    Obstáculos

    Os resultados ajudam a explicar por que a mineração desses corpos está longe de ser simples. Embora os asteroides sejam frequentemente classificados em três grandes grupos – carbonáceos, metálicos e silicáticos –, essa divisão esconde uma enorme diversidade interna.

    Dois asteroides do mesmo tipo podem ter composições químicas bastante diferentes, moldadas por bilhões de anos de colisões, aquecimento solar e alterações causadas pela presença de água.

    Segundo o estudo, a maioria dos asteroides carbonáceos apresenta apenas pequenas concentrações de elementos metálicos valiosos em estado nativo, o que limita sua atratividade econômica. “O objetivo foi entender até que ponto essa extração seria viável”, disse Pau Grèbol-Tomàs, pesquisador do ICE-CSIC, em nota.

    A conclusão é clara: minerar asteroides indiferenciados, como aqueles que deram origem aos condritos carbonáceos, ainda não compensa do ponto de vista técnico e econômico.

    Há, no entanto, exceções promissoras. A análise identificou um tipo específico de asteroide primitivo com faixas ricas em olivina e espinélio.

    Esses minerais indicam regiões onde certos elementos estão mais concentrados e menos dispersos na rocha, o que aumentaria a eficiência da extração e reduziria a quantidade de material que precisaria ser processado fora da Terra. Por isso, esses corpos despontam como alvos mais interessantes para futuras missões de exploração.

    Mesmo assim, os autores alertam que qualquer plano de mineração exigiria novas missões espaciais dedicadas a ir até esses asteroides, coletar amostras diretamente no espaço e trazê-las de volta para análise. Só então seria possível confirmar sua composição real antes de qualquer investimento em larga escala.

    Outro ponto central do debate é a água. Muitos asteroides carbonáceos contêm minerais hidratados, isto é, que incorporam água em sua estrutura cristalina.

    Esse recurso é visto como estratégico porque poderia ser usado no próprio espaço, tanto para consumo humano quanto para a produção de combustível, reduzindo a necessidade de enviar grandes volumes de suprimentos da Terra.

    Os desafios tecnológicos, porém, são consideráveis. A superfície de muitos asteroides é coberta por regolito, um material fragmentado semelhante a um cascalho solto, o que facilitaria a coleta de pequenas amostras. Desenvolver sistemas capazes de operar em microgravidade, extrair grandes volumes de material e processá-los de forma eficiente é outra história.

    Apesar disso, o interesse científico e estratégico permanece alto. Usar recursos extraídos no espaço permitiria que missões de longa duração dependessem menos de lançamentos de reabastecimento a partir da Terra, além de, a longo prazo, reduzir o impacto ambiental da mineração terrestre.

    Estudar esses corpos também fornece dados cruciais sobre a origem do Sistema Solar e ajuda a compreender asteroides que podem representar riscos ao planeta.

    Para os autores do estudo, a mineração de asteroides não é uma promessa para amanhã, mas tampouco pertence apenas ao campo da ficção científica.

    O caminho, segundo eles, passa por mais dados, mais amostras e um entendimento muito mais preciso da química desses pequenos mundos. Só então será possível saber se explorar recursos fora da Terra pode se tornar uma atividade viável.

    Fonte: abril

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