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Microplásticos avançam nos rios do Pantanal, alertam pesquisadores: impactos e soluções

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2026
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) identificaram a presença de microplásticos em toda a bacia do Rio Cuiabá, desde as nascentes até o encontro com o Rio Paraguai, além de registros nos sedimentos da planície pantaneira. Embora os níveis ainda sejam considerados seguros, os dados acendem um alerta sobre a expansão desse tipo de poluente no bioma e reforçam a necessidade de mudanças no consumo e no descarte de plásticos.
Os resultados foram debatidos durante o Diálogos Pantaneiros, realizado em Poconé pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal. Com o tema “Plástico: um estranho nas águas do Pantanal”, o encontro reuniu pesquisadores, representantes do poder público e a comunidade para discutir impactos ambientais e caminhos para reduzir a presença de resíduos nos rios.
 

Entre os principais achados está a identificação de Bisfenol A (BPA), substância associada à decomposição de materiais plásticos e conhecida por interferir no sistema hormonal, o que amplia a preocupação com possíveis impactos também à saúde humana. Segundo os pesquisadores, a contaminação já está presente em toda a bacia, mas ainda há margem para intervenção, especialmente com melhorias na coleta de resíduos sólidos e no tratamento de efluentes, além da redução do consumo de plástico.
As principais fontes de poluição identificadas são o descarte inadequado de lixo em áreas urbanas e o lançamento de esgoto contendo microfibras têxteis, um tipo de poluente de difícil controle. Especialistas destacam que a maior concentração de resíduos está próxima aos centros urbanos e que, embora o rio tenha certa capacidade de depuração ao longo do percurso, isso não elimina o risco de acúmulo no Pantanal.
Os impactos também atingem a base da cadeia alimentar. Pesquisas apontam que o zooplâncton, organismo essencial para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, pode ter seu funcionamento comprometido pelos microplásticos, afetando diretamente a dinâmica ambiental.
Diante do cenário, pesquisadores e especialistas reforçam que o enfrentamento do problema depende da integração entre ciência, políticas públicas e mudanças no comportamento da população, especialmente com a redução do uso de plásticos descartáveis, como copos, garrafas e canudos.
Durante o evento, participantes também acompanharam atividades práticas, como observação de organismos microscópicos, demonstrações sobre o impacto das chuvas no Pantanal e ações educativas sobre resíduos sólidos, com o objetivo de ampliar a conscientização ambiental e incentivar práticas mais sustentáveis no dia a dia.

 

Fonte: Olhar Direto

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