Um documento produzido em 1976 por estudantes da Escola de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro revelou denúncias de violações de direitos humanos dentro do campus durante a ditadura militar. O material detalhava a presença constante de agentes do regime e identificava veículos utilizados nas ações, evidenciando a vigilância sobre a comunidade acadêmica.
O registro foi apresentado nesta terça-feira (31) como exemplo da relevância dos arquivos históricos na construção do conhecimento, na mobilização social e na busca por desaparecidos políticos.
O debate integra a Semana Ditadura, Arquivos e Memória, realizada no Arquivo Nacional até quarta-feira (1º), reunindo pesquisadores, arquivistas e representantes de movimentos sociais. O encontro ocorre no contexto dos 62 anos do golpe que depôs o então presidente João Goulart, marcando o início de mais de duas décadas de regime autoritário no Brasil.
A diretora do Arquivo Nacional, Mônica Lima, destacou que a preservação documental é essencial para garantir o acesso público à informação e fortalecer a democracia. Segundo ela, os arquivos permitem à sociedade compreender sua própria história e reafirmar valores ligados aos direitos humanos.
A historiadora Cecília Coimbra, fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais no Rio de Janeiro, relembrou a atuação de familiares de vítimas e movimentos sociais na busca por informações durante e após a ditadura. Ela ressaltou que, a partir dos anos 1980, esses grupos passaram a acessar arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde encontraram registros importantes sobre desaparecidos.
Apesar dos avanços, Cecília alertou que ainda há lacunas significativas. Segundo ela, arquivos de diferentes órgãos militares e de segurança permanecem inacessíveis, dificultando o esclarecimento completo dos crimes cometidos no período.
O evento também contou com a participação de Maria Fabiana Almeida, integrante do movimento argentino Madres de Plaza de Mayo. Ela compartilhou a história do irmão, desaparecido aos 20 anos durante a ditadura na Argentina, e destacou o impacto duradouro das violações de direitos humanos.
Maria Fabiana reforçou a importância de manter viva a memória histórica diante de contextos políticos atuais. Para ela, lembrar o passado é fundamental para evitar retrocessos e garantir que episódios semelhantes não se repitam.
Fonte: cenariomt





