Câncer: medicamento experimental que funcionou em gatos pode ajudar seres humanos

Mais uma esperança contra o câncer. Um medicamento experimental usado em gatos com a doença, teve resultados animadores e agora os cientistas querem levar o mesmo tratamento para seres humanos.
O estudo sobre a nova terapia contra tumores de cabeça e pescoço, um dos mais agressivos e difíceis de tratar, foi feito na Universidade da Califórnia em São Francisco (EUA) e publicado na última quinta (28) na revista científica Cancer Cell.
O ensaio clínico em felinos mostrou que 35% deles tiveram a doença controlada e melhora dos sintomas, com efeitos colaterais mínimos.
Como foi a pesquisa
O estudo foi feito em 20 gatos de estimação, diagnosticados com carcinoma espinocelular (HNSCC, na sigla em inglês).
O medicamento em teste é o primeiro a conseguir atingir de forma eficaz o fator de transcrição STAT3, uma proteína que está presente na maioria dos tumores de cabeça e pescoço e em diversos outros tipos de câncer, sólidos e hematológicos. Sempre foi um desafio bloquear a atividade dessa molécula, na oncologia.
Além de inibir o STAT3, os cientistas observaram que o composto aumentou os níveis da proteína PD-1, que está relacionada à resposta imunológica contra o tumor. Isso indica que o remédio atua em duas frentes: reduz o crescimento do câncer e estimula o próprio organismo a combatê-lo.
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Como surgiu a ideia
A ideia de testar o medicamento em gatos veio de uma conversa entre a pesquisadora Jennifer Grandis e a irmã dela, que é veterinária.
Ela contou que os felinos com esse tipo de câncer costumam sobreviver apenas de dois a três meses após o diagnóstico, já que os tratamentos atuais são pouco eficazes.
O gatinho Jak, de 9 anos, que recebeu tinha 6 semanas de expectativa de vida após o diagnóstico. Inscrito no estudo, ele passou por quatro sessões semanais e teve alívio dos sintomas e sobreviveu por mais de 8 meses: “Ele passou mais um Natal conosco e viu meus filhos terminarem os estudos. Foi um presente tê-lo por mais tempo”, contou Tina Thomas, tutora do gato.
Gatos x ratos
Os pesquisadores preferiram usar gatos no novo tratamento porque eles oferecem um modelo mais realista para o desenvolvimento de terapias oncológicas do que os camundongos de laboratório.
É que os felinos compartilham o mesmo ambiente que os humanos, têm maior diversidade genética e tumores mais heterogêneos, semelhantes aos das pessoas.
“Esses animais respiram o mesmo ar que respiramos e enfrentam as mesmas exposições ambientais. Isso os torna modelos muito melhores para prever como os medicamentos vão agir em humanos”, explica Daniel Johnson, da Universidade da Califórnia em São Francisco, um dos coordenadores do estudo.
Pode funcionar em humanos
Os bons resultados em felinos fazem os pesquisadores acreditarem que a mesma estratégia pode funcionar em seres humanos.
“Existe uma semelhança notável entre o HNSCC em humanos e em gatos, tanto no comportamento clínico quanto nos aspectos histológicos e imunológicos”, escreveram os autores do estudo.
Uma empresa de biotecnologia pretende levar a nova droga a ensaios clínicos em humanos. O projeto tem apoio do National Institutes of Health (NIH) e do Centro de Saúde Animal da Universidade da Califórnia Davis.
“Pesquisas clínicas em animais de estimação nos permitem aprender muito sobre os medicamentos e, ao mesmo tempo, oferecer benefícios reais a esses pacientes”, afirmou Grandis.
Se os resultados se confirmarem em humanos, a descoberta pode inaugurar uma nova geração de terapias direcionadas para tumores de cabeça e pescoço — doenças com altas taxas de mortalidade e necessidade urgente de tratamentos mais eficazes, informou o Gnn
Fonte: sonoticiaboa