A base aliada do ex-governador Mauro Mendes (União) entrou na reta final da janela partidária tentando refazer, às pressas, a montagem da chapa de deputado estadual para a eleição de 2026. A destituição do diretório estadual do PRD, que era comandado por Mauro Carvalho, desmontou o plano traçado para receber parte dos aliados do grupo e obrigou União Progressista, Podemos e Republicanos a reabrirem as negociações a menos de 48 horas do fim do prazo para trocas partidárias, que se encerra nesta sexta-feira (3).
A principal mudança já concretizada foi a saída do deputado estadual Eduardo Botelho do União Brasil. Ele oficializou nesta quinta-feira (2) a filiação ao MDB, movimento que ajuda a aliviar a pressão dentro da federação, que vinha tentando abrir espaço para fechar uma chapa mais competitiva à Assembleia. O próprio Mauro Mendes já admitiu que manter quatro deputados de mandato na mesma composição dificultava a atração de outros nomes para a disputa proporcional.
Mesmo com a saída de Botelho, o impasse não foi totalmente resolvido. O União ainda precisa equilibrar a permanência de nomes como Dilmar Dal’Bosco e Júlio Campos, ao mesmo tempo em que busca um destino para o deputado Sebastião Rezende, que tenta viabilizar seu sétimo mandato, mas enfrenta dificuldades para encontrar abrigo em uma chapa considerada competitiva dentro do próprio grupo governista. Antes da implosão do PRD, a avaliação interna já era de que a montagem da nominata estadual era a parte mais delicada da engenharia da base de Mauro.
O Podemos foi um dos partidos que já começou a absorver parte dessa rearrumação. O ex-secretário Allan Kardec, que era esperado no PRD, acabou se filiando à sigla comandada por Max Russi. Com isso, o partido amplia a chapa estadual que já conta com o próprio Max, além dos deputados Fábio Tardin e Beto Dois a Um, todos oriundos do movimento de fortalecimento do Podemos para 2026.
Outro partido que entrou no radar da base governista é o Republicanos, legenda ligada ao governador Otaviano Pivetta. A sigla já acertou a entrada do ex-secretário de Educação Alan Porto e mantém em seu entorno nomes como Diego Guimarães, Valmir Moretto e Nininho. Ainda assim, o partido não tem aberto as portas sem resistência, sobretudo para lideranças que ficaram sem espaço após o colapso do PRD, o que mantém o tabuleiro em aberto nas últimas horas da janela.
Na sobra dessa reacomodação aparece o deputado Paulo Araújo, que havia deixado o PP com destino certo ao PRD, mas voltou à condição de nome a ser encaixado em uma chapa menos congestionada. Além dele, o ex-secretário de Saúde Gilberto Figueiredo, que também iria para PRD acabou ficando sem abrigo, e talvez tenha que se contentar em ficar no União, apesar do inchaço da chapa.
A crise no antigo projeto do PRD transformou a reta final da janela em uma operação de redistribuição de quadros dentro da base de Mauro Mendes, com o objetivo de evitar dispersão e preservar a força do grupo na disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa.
Fonte: leiagora





