O cenário cinematográfico de Mato Grosso do Sul está em plena efervescência. O estado se transformou em palco para o novo longa-metragem do diretor sul-mato-grossense Fábio Flecha, reunindo talentos locais e nomes consagrados do audiovisual nacional. Nesta quarta-feira (18), as gravações ganharam destaque com a participação da atriz Claudia Ohana, conhecida por trabalhos marcantes na televisão, como Tieta (1989) e Vamp (1991).
A produção destaca o movimento crescente da valorização do “interior” do Brasil como polo de criação artística. Com equipes técnicas e elenco diversificados, o projeto evidencia o potencial da região não apenas como cenário, mas como protagonista no cinema brasileiro.
Cinema regional em ascensão
Para o ator Espedito Di Montebranco, que interpreta o antagonista Teodoro, o momento representa uma virada histórica e destacou a importância de abordar temas sociais por meio da arte.
“Antes, o ator sul-mato-grossense precisava sair do estado para trabalhar. Hoje, estamos vendo o contrário: artistas reconhecidos vindo para cá. Isso valoriza nossa produção e mostra a força que temos. A arte cria pontes. A gente consegue discutir preconceito, homofobia e machismo com leveza, usando o humor, mas sem deixar de provocar reflexão.”
Além do conteúdo, Espedito ressalta a riqueza natural do estado como diferencial para o audiovisual, citando a diversidade de paisagens, do Pantanal às regiões montanhosas, como um convite aberto às produções.
Um projeto com ambição nacional
O diretor Fábio Flecha, de “Do Sul, A Vingança’ (2025), explica que o longa marca um novo passo na carreira e no cinema local. Segundo ele, o filme busca equilibrar entretenimento e reflexão.
“Estamos ampliando o alcance. Trazer atores nacionais ajuda a dar visibilidade e fortalece a produção regional. Queremos dialogar com todo o Brasil. Falamos de temas sérios, como preconceito e identidade, mas com uma linguagem leve. É um humor cuidadoso, que faz rir e pensar ao mesmo tempo.”
Representatividade e troca de experiências
O ator Leandro Marques, que vive Sam, destaca a relevância da temática e também celebra o intercâmbio entre artistas locais e nacionais.
“A homofobia ainda existe, então é essencial falar sobre isso. O filme traz consciência, mas também diversão. É uma comédia com camadas importantes. Os atores que vieram de fora estão somando, trocando experiências, se integrando completamente. Isso fortalece o cinema e mostra que o interior também é um espaço potente de criação.”
Uma história sobre identidade, amor e recomeços
O filme “Não Me Lembro” aposta na comédia romântica para tratar de temas profundos. A trama acompanha Téo (Bruno Moser), um arquiteto em ascensão que, após um acidente, perde parte da memória, inclusive o fato de ser gay e casado com Sam (Leandro Marques), um chef de cozinha e ativista LGBTQIA+.
A partir desse ponto, o protagonista mergulha em situações inesperadas, influenciado por pessoas ao seu redor. Entre elas estão seu pai, Teodoro (Espedito Di Montebranco), que tenta impor visões preconceituosas, e Roberta (Priscila Godoy), amiga de longa data que aceita participar de um plano controverso.
Com o apoio da mãe, Célia (Maria Clara Gueiros), da neuropsiquiatra Dra. Bomani (Shirley Cruz) e da sócia Estela (Nany People), Téo inicia uma jornada de reconstrução pessoal. A narrativa ainda inclui figuras excêntricas como o charlatão Mestre Jackson (Jarbas Homem de Mello) e a misteriosa Débora Angelina, personagem de Claudia Ohana.
Misturando humor e crítica social, o filme propõe reflexões sobre diversidade, preconceito e autoconhecimento, sem abrir mão do entretenimento.
Fonte: primeirapagina





