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Manifesto de Instituições Ambientais contra Corredor Logístico e Ponte na Transpantaneira: Alerta de Catástrofe Ambiental

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2026
A proposta de construção de uma ponte de concreto em Porto Jofre, no fim da Transpantaneira (MT-060), passou a mobilizar o setor de turismo e organizações ambientais que atuam no Pantanal mato-grossense. O protoloco de intenções foi firmado entre a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul, prevendo a criação de um corredor rodoviário ligando os dois estados e impulsionamento do ecoturismo com integração à rodovia MS-214.


O protocolo de intenção foi publicado no Diário Oficial em 4 de fevereiro. Entidades do ecoturismo, associações de guias e pescadores, organizações ambientais e de pesquisa, além de representantes de comunidades indígenas e da sociedade civil do Pantanal mato-grossense, além de instituições nacionais ligadas à conservação e ao turismo, e apoiadores do setor audiovisual e científico, como codiretor do documentário “Marcha das Onças”, da Netflix, Mike Bueno, assinaram um manifesto contra a construção. 
“A implantação da ponte tende a direcionar o uso da estrada para o transporte de commodities, com circulação de veículos pesados incompatíveis com a atividade turística e com a conservação ambiental”, diz trecho da carta aberta. 
Ao , o empresário André Turoni, proprietário de uma pousada no Pantanal, classifica a proposta como uma “catástrofre iminente”. Turoni explica que realiza, desde 2019, pesquisas com hóspedes sobre o asfaltamento da estrada e que cerca de 83% são contrários. Ele relata que recebe entre 2,2 mil e 2,3 mil visitantes por ano, com ticket médio acima de R$ 4 mil, e que esse público busca justamente a experiência de contato com a natureza preservada.
O empresário também cita impactos observados em outras rodovias do Pantanal, como o aumento de atropelamentos de animais e a redução da fauna visível às margens das estradas. Para ele, a construção da ponte abriria caminho para o asfaltamento da Transpantaneira, alterando a dinâmica da região.
“Eles consideram isso uma evolução, mas não entendem que o Pantanal é o principal santuário de vida silvestre do continente sul-americano. Se cortar de norte a sul com uma rodovia, nós já temos provas do que acontece. Em Poconé, com o asfaltamento, o número de mortes aumentou e você não vê mais nada na beira da estrada. Entre Campo Grande e Corumbá, o número de atropelamentos é absurdo. Não dá. Ser humano significa respeitar a natureza, reconhecer na natureza a mesma divindade do Criador que nos criou”, explica. 
O documento que vai contra o projeto de construção aponta que a região de Porto Jofre, onde está o Parque Estadual Encontro das Águas, é considerada um dos principais destinos do mundo para observação de onças-pintadas, movimentando cerca de US$ 30 milhões por ano com turismo. De acordo com o texto, a transformação da estrada em um corredor logístico pode comprometer a experiência turística e elevar riscos ambientais, como atropelamento de fauna, perda de biodiversidade e aumento de incêndios.
Também demonstram preocupação com a possibilidade de circulação de veículos pesados ligados ao transporte de commodities, o que consideram incompatível com o perfil da região.
Na carta aberta, os manifestantes defendem que os investimentos sejam direcionados à melhoria da infraestrutura interna do Pantanal mato-grossense, como a interligação entre Barão de Melgaço e Porto Cercado, o acesso ao Porto Conceição e a ligação entre Poconé e a região do Boqueirão. O grupo afirma que esse tipo de investimento fortalece o turismo sustentável e amplia o tempo de permanência dos visitantes no estado.

 

Fonte: Olhar Direto

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