Apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) fizeram ofensas à memória da vereadora Marielle Franco durante uma manifestação realizada nesta terça-feira (13), nas proximidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A parlamentar foi assassinada em março de 2018, em um crime de motivação política.
O ato ocorreu um dia depois de a universidade proibir manifestações político-partidárias em suas dependências até o fim do período eleitoral. Vídeos que circularam nas redes sociais registraram manifestantes ironizando a morte da ex-vereadora.
Durante um discurso em um carro de som, um dos participantes afirmou que Marielle estaria “com papai do céu” e, em seguida, acrescentou que ela poderia estar “no colo do capeta”. As declarações provocaram reações de pessoas que participavam de uma mobilização em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os dois grupos trocaram ofensas durante o ato. Em resposta às provocações, apoiadores de Lula entoaram gritos de mobilização e repetiram a expressão “Marielle, presente”, utilizada em homenagens à vereadora.
Familiares reagem às ofensas
A repercussão da manifestação levou familiares de Marielle Franco a se posicionarem publicamente. Luyara Franco, filha da vereadora, publicou um vídeo em que criticou as declarações feitas durante o protesto e defendeu a memória da mãe.
Segundo Luyara, transformar o assassinato em motivo de deboche ultrapassa os limites de uma divergência política. Ela classificou a atitude como violência política e afirmou que as provocações desrespeitam a história da mãe, a família e as pessoas que continuam cobrando justiça.
A filha também destacou a trajetória acadêmica e política de Marielle. Formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, a vereadora foi pesquisadora, concluiu mestrado em Administração Pública e atuou na defesa dos direitos humanos. Luyara ressaltou a contribuição da mãe para o debate público e seu compromisso com a transformação social.
A deputada federal eleita Anielle Franco (PT), irmã de Marielle, também manifestou apoio aos estudantes que participaram do ato favorável a Lula. Professora, ela lembrou a ligação da família com a universidade, onde Marielle estudou, e declarou que a mobilização representa uma forma de resistência.
Assassinato de Marielle Franco
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro. O carro em que estavam foi atingido por disparos quando a vereadora deixava um evento na região central da cidade.
Em 2024, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram participação no assassinato, foram condenados pelo crime. O caso também resultou em condenações de outros cinco acusados, conforme as informações divulgadas sobre o processo judicial.
Entre os condenados estão Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald de Paula, major da Polícia Militar; e Robson Calixto, ex-policial militar.
As condenações representam um desdobramento judicial do caso que provocou repercussão nacional e internacional. A memória de Marielle continua presente em manifestações públicas, enquanto familiares e apoiadores defendem a preservação de sua trajetória política e a responsabilização dos envolvidos no assassinato.
Com informações da Agência Brasil.
Fonte: cenariomt





