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Mãe em busca de doador de medula após diagnóstico de leucemia ser mascarado pelo cansaço da amamentação

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2026

Enquanto uma mãe de um bebê de apenas sete meses aguarda a ligação que pode salvar sua vida, um biomédico de Mato Grosso do Sul comemora ter sido a esperança de um paciente desconhecido. As histórias de Marcela Elisa Bertin e Lucas Cardoso Pires se encontram em um mesmo ponto: a doação de medula óssea.

Marcela, servidora pública de Campo Grande, descobriu em maio deste ano que estava com leucemia mieloide aguda. Até então, acreditava que as dores pelo corpo e o cansaço excessivo eram apenas consequência da maternidade.

“Eu estava amamentando, vivendo uma época muito feliz com a minha família. Meu filho tinha sete meses. Achava que era apenas uma anemia”, relembra.

Após exames e a confirmação do diagnóstico, a rotina mudou completamente. Atualmente, ela está internada há mais de 50 dias, enfrentando sessões de quimioterapia e aguardando um transplante de medula óssea, considerado uma das principais chances de cura.

“Cada dia é um dia diferente. Tem dias bons e dias muito difíceis. A gente precisa lidar com exames, procedimentos e emoções o tempo todo”, conta.

A busca por um doador compatível se tornou uma corrida contra o tempo. Nem mesmo a irmã de Marcela apresentou compatibilidade genética suficiente para o transplante.

Do outro lado dessa história está Lucas Cardoso Pires, biomédico de Três Lagoas. Ele se cadastrou como doador no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) em 2016 e, neste ano, recebeu uma ligação inesperada.

“Meu coração gelou. Dez anos se passaram e apareceu um possível receptor compatível. Na hora eu falei: Claro que vou continuar”, lembra.

Por regras do Redome, Lucas ainda não sabe quem recebeu sua medula. Após um ano e meio, caso ambas as partes concordem, será possível quebrar o sigilo e promover o encontro.

“Estou muito ansioso por esse momento. Quero saber quem é essa pessoa e como ela está”, diz.

Doadores em MS

Segundo o Hemosul, Mato Grosso do Sul possui cerca de 199 mil pessoas cadastradas como doadoras de medula óssea. Apesar do número, a chance de encontrar um doador compatível fora da família é de apenas uma em cada 100 mil.

A chefe de captação de doadores do Hemosul, Lucéia Fernandes, explica que ampliar o cadastro é fundamental.

“Você pode ser compatível com alguém e nem imaginar. Quanto maior o número de doadores, maiores são as chances de salvar vidas”, destaca.

Para se cadastrar, é preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e doar apenas 5 ml de sangue para análise genética. Enquanto Lucas celebra a oportunidade de ter ajudado alguém, Marcela continua aguardando pelo dia em que também receberá a notícia que tanto espera.

“Existe um momento que chamamos de ‘Dia da Pega’, quando a medula começa a produzir sangue novo. Dizem que é como um novo nascimento. Eu espero muito viver esse dia”, afirma.

Em Mato Grosso do Sul, duas histórias mostram lados opostos da mesma jornada: a de quem espera por uma segunda chance e a de quem decidiu oferecê-la.

Fonte: primeirapagina

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