(J. R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 13 de dezembro de 2023)
Na posição de “protagonismo” internacional que teria devolvido ao Brasil, segundo ele prĂłprio, sua mulher e o ministro de Relações Exteriores que existe na prática, Celso Amorim, o presidente Lula completou o primeiro ano de sua obra no mesmo embalo em que começou. Diante da agressĂŁo grotesca contra a Guiana feita pela Venezuela, por enquanto limitada Ă discurseira e Ă s ameaças do agressor, Lula nĂŁo foi capaz de tomar a decisĂŁo certa — tĂŁo certa que nĂŁo passou pela cabeça de nenhuma nação sĂ©ria do mundo fazer qualquer coisa diferente. A Venezuela sĂł poderia mesmo ser condenada: quem anuncia um ataque a um paĂs vizinho pacĂfico, e sem força militar para se defender sozinho, nĂŁo pode ter razĂŁo, ponto final. Lula acha que nĂŁo Ă© assim.
A Venezuela anunciou que quer anexar dois terços — isso mesmo, dois terços — do territĂłrio da Guiana, e qual Ă© a proposta do Brasil, segundo o personagem que se descreve como “lĂder da AmĂ©rica do Sul”? Propõe que a Guiana e a Venezuela “negociem”. Negociar o que? A Venezuela quer roubar dois terços do territĂłrio da Guiana, e Lula propõe “negociação”? Ele poderia, nesse caso, apresentar alguma ideia concreta para a solução daquilo que chama de “conflito”. O que Lula sugere que a Guiana faça, dentro da “negociação” que está propondo aos dois? Que entregue Ă Venezuela, digamos, um terço do seu territĂłrio, em vez de dois? Estaria ganhando um terço. A Venezuela, em vez dos dois terços que quer, cederia e ficaria sĂł com um. Cada paĂs, assim, leva uma parte igual, e nĂŁo se fala mais nisso.
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Essa Ă© a diplomacia de Lula, e esse Ă© o seu “protagonismo” como grande lĂder da AmĂ©rica do Sul e como nova potĂŞncia do “Sul Global”. Tudo o que conseguiu como negociador da paz mundial foi levar o a um papel ridĂculo no cenário internacional – um paiseco que nĂŁo tem senso moral, nĂŁo tem nenhuma ideia Ăştil a sugerir, nem para os seus vizinhos, e nĂŁo tem palavra. A esquerda acusava o Brasil de ser um “pária internacional”, atĂ© a chegada de Lula ao governo. Agora nĂŁo Ă© mais pária – Ă© isso aĂ. Lula, nesses seus primeiros onze e meses de diplomacia, já disse que a Ucrânia era responsável pela invasĂŁo militar do seu prĂłprio territĂłrio. Condena, como “genocĂdio”, a reação armada de Israel ao maior ataque terrorista que recebeu em sua histĂłria. É aliado radical da ditadura dos aiatolás no IrĂŁ – um dos regimes mais repressivos do planeta. Meteu-se na eleição presidencial da Argentina e levou uma surra histĂłrica. Tudo o que conseguiu com isso para o Brasil foi o desprezo das democracias mundiais. Quer ser o “isentĂŁo” global. Consegue ser apenas o homem que erra sempre.
Fonte: revistaoeste






