Em artigo publicado neste domingo (18) em um dos principais jornais dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os recentes bombardeios norte-americanos em território da Venezuela e a anunciada captura do presidente do país, ocorridos no início de janeiro, representam um novo episódio de enfraquecimento do direito internacional e da ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial.
No texto, Lula critica o que define como ataques frequentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas e ao Conselho de Segurança. Para o presidente, quando o uso da força deixa de ser exceção e passa a orientar a solução de disputas, a paz e a estabilidade globais ficam sob ameaça.
O presidente também alerta que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o funcionamento do sistema global.
Segundo Lula, o desrespeito parcial às regras gera um ambiente de anomia que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas todo o sistema internacional.
Na avaliação do chefe do Executivo brasileiro, sem regras pactuadas coletivamente não é possível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas.
Lula reconhece que líderes de qualquer país podem ser responsabilizados por violações à democracia e aos direitos fundamentais. No entanto, ressalta que não cabe a um Estado agir de forma unilateral como juiz internacional, prática que, segundo ele, desorganiza o comércio, afasta investimentos, amplia fluxos de refugiados e dificulta o enfrentamento ao crime organizado.
O presidente considera especialmente preocupante a adoção desse tipo de ação na América Latina e no Caribe, regiões que historicamente buscam a paz com base na soberania, na autodeterminação dos povos e na rejeição ao uso da força.
Lula destaca que, em mais de dois séculos de independência, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
Ao abordar o papel regional, o presidente afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, possuem interesses próprios e não devem ter suas relações internacionais questionadas em um cenário multipolar.
Lula afirma que a construção de uma região próspera, pacífica e plural é o único caminho compatível com os interesses latino-americanos.
O artigo também defende uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas e atrair investimentos em infraestrutura física e digital, gerar empregos, ampliar o comércio e fortalecer o combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas.
Sobre a Venezuela, Lula sustenta que o futuro do país deve estar nas mãos de seu próprio povo.
Para o presidente, apenas um processo político inclusivo, conduzido por venezuelanos, poderá levar a um futuro democrático e sustentável.
Lula afirma ainda que o Brasil seguirá cooperando com o governo e a população venezuelanos para proteger a extensa fronteira comum e aprofundar a cooperação bilateral.
Ao tratar da relação com Washington, o presidente destaca que Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias do continente e defende a união de esforços em investimentos, comércio e no combate ao crime organizado como caminho para enfrentar desafios comuns.
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Fonte: cenariomt






