Lucas do Rio Verde • Mato Grosso

Lucas do Rio Verde Cria Área de Pesquisa para Preservação de Espécies Nativas

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A aprovação do projeto “Pró-nativas: Vitrines Florestais Amazônicas”, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), representa um novo investimento em pesquisa e desenvolvimento do setor florestal em Mato Grosso. Com recursos de R$ 1,97 milhão, a iniciativa prevê a implantação de áreas experimentais em Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta para avaliar o potencial econômico e industrial de cinco espécies nativas da Amazônia.

O projeto foi aprovado pelo Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta, vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), e será desenvolvido pelo curso de Engenharia Florestal da UFMT, Campus Sinop, ao longo de seis anos.

A previsão é que os trabalhos comecem ainda em dezembro de 2026, condicionados à formalização do financiamento e à liberação dos recursos.

Espécies nativas que serão estudadas

As três vitrines florestais ocuparão uma área total de seis hectares, sendo dois hectares em cada município. Serão estudadas cinco espécies nativas: tachi (Tachigali vulgaris), peroba-mica (Aspidosperma duckei), paricá (Schizolobium amazonicum), marupá (Simarouba amara) e louro-branco (Cordia bicolor).

O desempenho das árvores será comparado ao de espécies comerciais já utilizadas no setor, como eucalipto e teca. Entre os indicadores avaliados estarão sobrevivência das plantas, crescimento, produtividade, qualidade do tronco, produção de biomassa e características da madeira.

Em Lucas do Rio Verde, a unidade experimental será implantada em uma área vinculada a uma empresa privada que atua nos segmentos florestal e de biomassa. O espaço contará com as cinco espécies nativas previstas no projeto e o eucalipto como referência comercial.

Em Alta Floresta, a implantação ocorrerá em área disponibilizada por meio de parceria com a Bacaeri Florestal Ltda. A unidade terá as espécies nativas e a teca como referência, considerando a tradição do município na produção dessa espécie.

Já em Sinop, a pesquisa será realizada em uma área vinculada ao Centro Regional de Pesquisa e Transferência de Tecnologia da Empaer. O tachi será o principal componente produtivo da unidade, associado às demais espécies nativas.

Pesquisa busca ampliar aproveitamento econômico de espécies amazônicas

Segundo o professor e coordenador do projeto, Eduardo Schneid, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o conhecimento sobre o potencial de utilização econômica das espécies florestais nativas da Amazônia.

“O projeto busca contribuir para esse desenvolvimento por meio da implantação de três vitrines florestais experimentais, nas quais serão avaliadas espécies nativas em comparação com espécies comerciais de referência, como o eucalipto e a teca”, explicou.

A distribuição das áreas experimentais em três municípios permitirá acompanhar o desenvolvimento das árvores em diferentes condições regionais. Os espaços também funcionarão como unidades demonstrativas para produtores rurais, empresas, técnicos e outros profissionais ligados à cadeia florestal.

O cronograma contempla obtenção de sementes, produção de mudas, preparação das áreas, plantio, manutenção e monitoramento das árvores. Também estão previstas capacitações, dias de campo, seminários, boletins técnicos e publicações científicas.

Projeto pode ampliar alternativas para produção de madeira e biomassa

Os resultados da pesquisa poderão contribuir para orientar decisões sobre o cultivo e o aproveitamento comercial de espécies nativas, além de ampliar as alternativas para diversificação das florestas plantadas em Mato Grosso.

Entre as possibilidades está a produção de biomassa destinada à geração de energia e de madeira para produtos de maior valor agregado, como a Madeira Lamelada Colada (MLC) e a Madeira Lamelada Colada Cruzada (MLCC).

“O financiamento representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a pesquisa aplicada e a inovação no setor florestal de Mato Grosso”, destacou o coordenador.

Parte dos recursos também será destinada à aquisição de equipamentos para inventário florestal e computadores com alta capacidade de processamento. A estrutura deverá fortalecer a infraestrutura de pesquisa da UFMT Campus Sinop e auxiliar na coleta, processamento e análise dos dados.

A equipe técnica é composta pelos professores Eduardo Schneid, Jair Figueiredo do Carmo, Júlia Graziela da Silveira, Juliano de Paulo dos Santos e Pedro Henrique Oliveira Simões.

Estudantes de graduação e pós-graduação também poderão participar como bolsistas ou voluntários, em atividades de iniciação científica e pesquisas acadêmicas. O projeto contará ainda com laboratórios e áreas didático-experimentais vinculados ao curso de Engenharia Florestal.

Fonte: cenariomt

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