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Livro em Cuiabá resgata o siriri: história e racialidade em destaque

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2026

O siriri, uma das manifestações culturais mais conhecidas de Mato Grosso, ganha uma leitura que vai além dos passos, das saias rodadas e da música no livro Dança da Arraya-Miúda: racialidade e cultura histórica sobre o siriri nas narrativas de jovens dançarinos e estudantes, da pesquisadora, professora e bailarina Mariana Destro Marioto.

A obra terá pré-lançamento nesta sexta-feira (21), no Cine Teatro Cuiabá, dentro da programação do Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro. A participação é gratuita.

Resultado de uma pesquisa de mestrado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o livro busca compreender como o siriri é contado e percebido por jovens que dançam ou convivem com essa manifestação cultural.

Um dos pontos centrais da publicação é a discussão sobre racialidade. Mariana investiga como a presença de populações negras aparece — ou deixa de aparecer — nas narrativas construídas ao longo do tempo sobre as danças populares mato-grossenses.

A inquietação surgiu também da experiência da própria pesquisadora como bailarina. Ao circular por grupos e espaços ligados às danças regionais, Mariana percebeu que era comum ouvir explicações sobre o siriri baseadas principalmente na mistura entre povos indígenas, africanos e europeus.

A convivência com o grupo Flor do Campo, formado majoritariamente por pessoas negras, fez com que ela passasse a observar de forma mais atenta como a negritude era representada nessas histórias.

O que significa “arraya-miúda”?

O próprio título do livro nasceu de um documento histórico encontrado durante a pesquisa.

A expressão “arraya-miúda” era utilizada para se referir às camadas populares e apareceu associada a manifestações culturais como samba, siriri e cururu.

Ao recuperar o termo, Mariana coloca em evidência pessoas e práticas culturais que, apesar de fazerem parte da história de Mato Grosso, nem sempre ocuparam espaço de destaque nos registros históricos.

A pesquisa reúne documentos, entrevistas com pessoas ligadas ao siriri e atividades realizadas com estudantes. A proposta é aproximar a produção acadêmica de leitores que não necessariamente estão dentro da universidade.

Para a autora, observar uma dança popular também pode ser uma maneira de acessar diferentes períodos da história e compreender as relações sociais que ajudaram a construir essas manifestações.

Livro nasceu de pesquisa na UFMT

A publicação é baseada na dissertação de mestrado de Mariana, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da UFMT, sob orientação do professor Marcelo Fronza.

Atualmente doutoranda em História pela universidade, ela integra o Grupo Pesquisador em Educação Histórica e pesquisa as relações entre danças populares, história e cultura escolar.

Além da atuação acadêmica, Mariana é professora e bailarina, com experiência em balé clássico, dança contemporânea e danças populares.

O projeto que resultou no livro também prevê a produção de um documentário, ainda em desenvolvimento.

Durante o pré-lançamento desta sexta-feira, o público poderá ter acesso a exemplares da publicação. O encontro é aberto a estudantes, pesquisadores, artistas, integrantes de grupos de dança e demais interessados na cultura mato-grossense.

Fonte: primeirapagina

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