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Líder espiritual orienta preparação para a virada do ano com harmonia entre branco, água e conexão

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Às vésperas de um novo ciclo, a virada do ano costuma carregar expectativas, desejos e pequenos rituais. Mas, na conversa com Tanâne da Òṣun, o convite é menos para a superstição e mais para a escuta, de si, do corpo, da casa e do tempo que começa.

“Mas as cores, para nós, não são superstições e nem promessas de sorte, elas só funcionam como um linguajar simbólico que ajudam a organizar nosso estado de espírito, nosso interior, né? Fica tão bonito a pessoa de dourado, amarelo, né? Se ela se está bem com ela, passar um ano bem, então fica tão gostoso, né? Não adianta você passar de branco e estar com um coração triste, angustiada, deprimida, isso não vai favorecer nada pra você”, explicou.

Ìyálàṣẹ́ da Tenda Espírita Caboclo 7 Flechas, Tanâne dedica seu trabalho ao cuidado do Axé vivo, com atenção especial ao Axé feminino, ao acolhimento das mulheres e à organização energética dos ciclos da casa. E é a partir dessa visão que ela fala sobre a virada: como um momento de preparo interno antes de qualquer escolha externa.

No Candomblé, o branco marca esse início. Ele simboliza limpeza, equilíbrio e o cuidado com o ori, a cabeça, onde se assentam pensamentos, emoções e caminhos. A partir dele, outras cores podem acompanhar a travessia: o dourado e o amarelo, ligados à prosperidade com consciência; o azul, que acolhe e acalma; e os tons terrosos, que ajudam a firmar, trazer estabilidade e sensação de segurança. Não como regra rígida, mas como linguagem simbólica que conversa com o que cada pessoa sente e busca para o novo ano.

O ponto central, reforça Tanâne, é o cuidado com o que não se vê. A mente, o emocional e o corpo precisam estar respeitados na virada, porque, nas tradições ancestrais, a prosperidade não começa do lado de fora. Ela nasce dentro.

“A nossa mente tem que estar bem, respeitar o nosso corpo e o nosso emocional no dia da virada. Nas tradições ancestrais, a prosperidade não começa por fora, ela começa aqui por dentro de nós. E cuidar da gente em primeiro lugar, então você tem que estar muito bem para a virada do ano, você tem que estar feliz, com esperança, com perseverança”, explicou.

Esse cuidado também passa pelo espaço onde se vive. Preparar a casa é, de certa forma, preparar o caminho. Organizar, limpar, descartar o que já não serve, abrir janelas para o ar circular, lavar cortinas, colocar flores e trazer aromas suaves, como a alfazema, ajudam a renovar a energia do ambiente. A defumação com ervas escolhidas com intenção e a presença de alegria dentro de casa funcionam como um fechamento simbólico do que ficou pesado no ano que termina e uma abertura para o que nasce.

E, para o próprio corpo, a água aparece como elemento essencial de renovação. Sempre que possível, o contato com a natureza — especialmente com cachoeiras ou água da chuva — é visto como um banho profundo de limpeza energética. Quando isso não é viável, banhos preparados em casa, com ervas como manjericão, louro e boldo, maceradas e jogadas do pescoço para baixo, cumprem esse papel de descarrego e reequilíbrio.

“Um banho de cachoeira é maravilhoso para o dia primeiro. Vai em uma cachoeira, pede para que as energias ruins sejam levadas. Quem não conseguir, faça um banho de água de poço, de ervas, manjericão, louro, boldo, macera, joga da cabeça aos pés. Mas nada é melhor que uma boa água para fazer limpeza, principalmente a de cachoeira, de chuva”, orientou.

Mais do que rituais elaborados, Tanâne reforça escolhas simples e conscientes para a virada.

 

Fonte: leiagora

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