SAÚDE

Lagarto surpreende ao viver com altos níveis de chumbo no sangue sem apresentar sintomas

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Um pequeno lagarto caribenho que se espalhou por Nova Orleans, na Louisiana (EUA), está desafiando o que a ciência sabe sobre os efeitos do chumbo nos organismos vivos. O anolis-marrom (Anolis sagrei), espécie invasora que chegou à cidade norte-americana nos anos 1990, foi identificado com as maiores concentrações de chumbo no sangue já registradas em um vertebrado. 

A quantidade é até 200 vezes maior que o limite considerado elevado em humanos, mas os bichinhos não apresentam sinais claros de intoxicação. 

 

Segundo dados do hospital universitário da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF Health), em pessoas adultas, valores acima de 5 microgramas por decilitro (µg/dL) já são classificados como preocupantes. Em crianças, que sofrem efeitos mais graves da exposição, o limite é ainda menor, de 3,5 µg/dL. 

Entre os lagartos, a média foi de 955 µg/dL, com um indivíduo chegando a 3192 μg/dL – uma concentração mais de 600 vezes superior ao limite do seguro para humanos. 

“Esses lagartos não estão apenas sobrevivendo, eles estão prosperando com uma carga de chumbo que seria catastrófica para a maioria dos outros animais”, afirmou o biólogo Alex Gunderson, da Universidade Tulane, em comunicado.

Desde a sua fundação, em 1718, a cidade convive com metais pesados. Eles foram amplamente utilizados em construções, veículos e indústrias, especialmente ao longo do século 20.

“É uma cidade antiga, o que significa que tem uma longa história com coisas como tinta à base de chumbo e gasolina com chumbo. O chumbo dessas fontes acabou chegando à terra”, explicou Gunderson à Popular Science.

Esse legado de poluição afeta diretamente os anolis, que vivem próximos ao solo, respiram poeira contaminada e se alimentam de insetos que também acumulam o metal.

A pesquisa, liderada pela doutoranda Annelise Blanchette e publicada na revista Environmental Research, coletou animais em áreas urbanas e analisou amostras de sangue, tecidos hepáticos e cerebrais. O que encontrou superou qualquer registro anterior em peixes, aves, répteis ou mamíferos. 

“Vi que os níveis estavam altos, mas só me dei conta de que isso realmente aconteceu depois que confirmamos a primeira rodada de dados”, disse Blanchette à Popular Science.

Apesar dos números alarmantes, os testes mostraram que habilidades normalmente comprometidas pelo envenenamento por chumbo, como equilíbrio, velocidade e resistência, permanecem preservadas. Para observar alguma queda de desempenho, os animais precisaram ser expostos a concentrações cerca de dez vezes maiores do que as já registradas no campo. 

“Eles estão funcionando em plena capacidade, apesar dos níveis recordes de chumbo. Isso os torna um dos animais mais tolerantes ao metal, se não o mais, conhecido pela ciência”, disse Blanchette, no mesmo comunicado.

Exames mais detalhados revelaram apenas efeitos menores no fígado e no cérebro. Ainda assim, alguns genes ligados à regulação de íons metálicos e ao transporte de oxigênio apresentaram alterações, o que pode estar relacionado à resistência incomum.

Embora a comparação com humanos não seja aplicável diretamente, os cientistas reforçam que a pesquisa destaca a persistência da poluição por chumbo no ambiente e a necessidade de reduzir a exposição em populações vulneráveis.

“Precisamos reavaliar o que sabemos sobre os limiares de toxicidade em vertebrados. Se conseguirmos descobrir o que os protege, poderemos descobrir estratégias que ajudem a mitigar o envenenamento por metais pesados em humanos e outras espécies”, concluiu Gunderson.

Fonte: abril

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