A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a pessoas físicas e fundos investigados na Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão liminar foi concedida pela 13ª Vara Cível após pedido da própria instituição.
A medida atinge participações acionárias avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões e impede a alienação dos ativos, com o objetivo de resguardar eventual ressarcimento de prejuízos ao banco público.
O processo tramita sob sigilo, mas o BRB divulgou fato relevante informando o ajuizamento da tutela cautelar. O bloqueio alcança ações vinculadas a pessoas físicas, fundos de investimento e empresas de gestão e participação.
Entre os alvos estão fundos como Deneb, Borneo, Siracusa, Delta e Asterope, além de empresas do setor financeiro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, empresários ligados ao Banco Master teriam adquirido participação no BRB por meio de terceiros, apontados como intermediários, o que teria levado o grupo a deter cerca de 25% do capital da instituição.
Investigação interna e cooperação
No documento encaminhado à Justiça, o BRB afirma que os investigados teriam ingressado no capital social de forma irregular. A instituição também informou que enviou um relatório preliminar de sua apuração interna à Polícia Federal.
A investigação é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll. O objetivo é esclarecer as operações realizadas entre o BRB e o Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial.
Impacto financeiro
O BRB também é investigado pela aquisição de mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master com indícios de inconsistências. A estimativa inicial aponta prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões, valor que ainda será confirmado com a divulgação do balanço prevista para março.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça e posteriormente desligado do cargo.
Negócio barrado pelo Banco Central
Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB após mais de cinco meses de análise. A operação previa a compra de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total da instituição.
O negócio já enfrentava resistência do mercado, que questionava o modelo de captação e a qualidade de parte dos ativos. O Ministério Público Federal também havia recomendado cautela, alertando para a possibilidade de passivos ocultos e ativos superavaliados.
Com o avanço das investigações e a rejeição da operação, o BRB busca recompor sua liquidez e seus índices de capitalização, ao mesmo tempo em que tenta assegurar, na Justiça, o ressarcimento de eventuais perdas.
Fonte: cenariomt






