– A defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, sofreu nova derrota na tentativa de suspender o julgamento pelo Tribunal do Júri. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, rejeitou o pedido apresentado às vésperas da sessão e confirmou o júri para esta terça-feira (21), às 9h, no Fórum da Capital.
Este é o terceiro pedido de adiamento feito pela defesa em menos de cinco dias. Filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra, o empresário é réu confesso pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e pelo homicídio de Willian César Moreno, de 30 anos, ocorrido em janeiro de 2023.
Na nova tentativa de suspender o julgamento, os advogados alegaram que foram surpreendidos pela existência de procedimentos sigilosos relacionados ao acusado e afirmaram não ter tido acesso integral a autos vinculados à prisão domiciliar. A defesa também pediu mais dez dias para analisar 109 GB de dados extraídos de aparelhos celulares.
A magistrada, porém, considerou que o pedido não apresentava justificativa suficiente para interromper a realização do júri.
Segundo Mônica Perri, tratava-se de “mais uma tentativa de adiamento da sessão de julgamento”, sem demonstração de prejuízo concreto ao direito de defesa.
“Trata-se, à evidência, de mais uma tentativa de adiamento da sessão de julgamento, sem que se identifique, nos fundamentos apresentados, prejuízo concreto e atual ao exercício da ampla defesa que legitime nova postergação”, afirmou a juíza.
Na decisão, a magistrada destacou ainda que os próprios advogados já haviam mencionado anteriormente a existência dos procedimentos sigilosos e que tiveram tempo para solicitar acesso aos processos que tramitam sob sigilo.
Sobre o volume de arquivos extraídos dos celulares, a juíza ressaltou que os relatórios técnicos já faziam parte da ação penal desde o início do processo. Ela apontou que a defesa retirou a íntegra do material na secretaria da Vara em 7 de julho, com 14 dias de antecedência ao julgamento.
Para a magistrada, a necessidade de organização, indexação e análise dos dados não pode ser usada como motivo para postergar a sessão.
“A alegada necessidade de tempo adicional para indexação, transcrição e cotejo do material não decorre de qualquer conduta imputável a este Juízo, mas de escolha da própria defesa quanto à forma e ao momento de organizar seu trabalho técnico”, afirmou.
Outras tentativas rejeitadas
Nos últimos dias, a defesa de Carlinhos também teve outros dois pedidos negados.
Na quarta-feira (15), o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o pedido para transferir o julgamento para outra comarca de Mato Grosso ou para outro Estado. Os advogados alegavam que a repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade dos jurados.
Já na sexta-feira (17), a própria juíza Mônica Catarina Perri Siqueira negou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar se o empresário tinha capacidade de compreender a ilegalidade dos atos no momento dos crimes.
Fonte: odocumento





