Homenageadas com a Comenda Guardiões da Ancestralidade, as jornalistas Lorraine Costa e Julianne Caju destacam que diferentes trajetórias e experiências de vida contribuem para um jornalismo mais plural, sensível e conectado à realidade da população. A honraria foi entregue na última sexta-feira (17) pelo Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso.
Para a jornalista Lorraine Costa, da TV Centro América, quando profissionais com diferentes histórias participam da construção das notícias, o jornalismo amplia seu olhar sobre a sociedade. “A gente só vai construir uma sociedade mais diversa e representativa quando a imprensa for ocupada por essa representatividade”, afirmou.
Segundo Lorraine, diferentes vivências ajudam a identificar pautas, personagens e histórias que, muitas vezes, passam despercebidos em ambientes com experiências semelhantes. “Quando essas pessoas ocupam os espaços, a gente aumenta o campo de visão e percebe que existem pessoas de várias cores, religiões, costumes e histórias. Isso enriquece não só o jornalismo, mas toda a sociedade”, destacou.
Ela também acredita que ouvir diferentes segmentos da população fortalece a qualidade da informação e contribui para superar estereótipos. “Essas pessoas existem e a gente precisa conversar, encarar, entender e respeitar. Nosso papel é fundamental na desconstrução de estereótipos e preconceitos”, declarou.
Diferentes olhares enriquecem a cobertura
Também homenageada, a jornalista, professora e pesquisadora Julianne Caju defende que ampliar o espaço para diferentes perspectivas também significa valorizar a história, a cultura e a produção intelectual da população negra.
Integrante da Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), Julianne recebeu a homenagem na categoria Pesquisadores, Acadêmicos e Professores.
Para ela, reconhecer essas contribuições fortalece o jornalismo e amplia a compreensão sobre a formação da sociedade brasileira. “Precisamos dar visibilidade a toda a intelectualidade negra, ao conhecimento de profissionais negros que fizeram e fazem muito pela nossa sociedade. Precisamos ter mais rostos, corpos e cultura negra em toda a mídia, a partir de uma perspectiva positiva”, afirmou.
Julianne também defende que a história do Brasil seja contada a partir da participação de diferentes povos que ajudaram a construir o país. “Nós construímos o Brasil, mas não estamos representados nessa importância”, pontuou.
Iniciativas que ampliam o debate
Entre as ações desenvolvidas pela Cojira-MT estão a Rota da Ancestralidade, que apresentou a participação das populações negra e indígena na formação de Cuiabá, e o 1º Workshop de Equidade Racial de Mato Grosso, que discutiu representatividade, diversidade de fontes e comunicação.
A comissão também promoveu uma roda de conversa sobre letramento racial e o papel da imprensa na construção de uma comunicação mais ética, plural e representativa.
Programação valoriza identidade e memória
O debate também estará presente na quinta edição do Agitando a Resistência Negra, realizada entre os dias 28 e 30 de julho, na Casa das Pretas, em Cuiabá.
Promovido pelo Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (IMUNE), o evento contará com oficinas, rodas de conversa, apresentações culturais e atividades voltadas à valorização da identidade, da memória e dos direitos da população negra.
Durante a programação, 30 lideranças, personalidades e coletivos receberão o Prêmio Geraldo Henrique Costa pelo trabalho desenvolvido em defesa da igualdade racial, da justiça social e da cultura afro-brasileira. A cerimônia será realizada no dia 29 de julho, no Cine Teatro Cuiabá.
Fonte: primeirapagina





