O Ministério das Relações Exteriores condenou a recente ofensiva militar de Israel contra o Líbano, iniciada um dia após o anúncio de cessar-fogo mediado entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo o Itamaraty, a ação representa um fator de risco para a estabilidade regional.
De acordo com o governo brasileiro, a intensificação dos ataques ameaça desencadear uma nova escalada de violência, mesmo diante de esforços diplomáticos recentes para interromper os confrontos. Os bombardeios atingiram diversas áreas do território libanês, com um balanço inicial de 254 mortos e 1.165 feridos.
Em nota oficial, o Brasil reiterou a defesa da soberania do Líbano e pediu a interrupção imediata das operações militares. O país também solicitou a retirada das forças israelenses do território libanês e reforçou a necessidade de cumprimento integral da Resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê um cessar-fogo e a criação de uma zona tampão monitorada por forças internacionais.
Cessar-fogo em risco
Apesar da trégua anunciada por Irã e Estados Unidos, Israel lançou a maior ofensiva recente no Líbano. A medida provocou reação do governo iraniano, que ameaçou abandonar o acordo ao afirmar que o entendimento previa o fim das hostilidades em todas as frentes do conflito regional.
Autoridades dos Estados Unidos afirmaram que o território libanês não fazia parte do acordo, enquanto o mediador das negociações, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, sustentou que o cessar-fogo incluía também o Líbano.
Países europeus e representantes da União Europeia pressionam pela inclusão do Líbano nas negociações de paz, diante do risco de ampliação do conflito. O presidente libanês declarou que a continuidade dos ataques compromete qualquer avanço diplomático.
Histórico do conflito
Os confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah remontam à década de 1980, quando a milícia foi formada em resposta à ocupação israelense no sul do Líbano. Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as tropas israelenses da região.
Desde então, episódios de violência se repetiram, incluindo ofensivas em 2006, 2009 e 2011. O grupo, que também atua como partido político no Líbano, voltou a intensificar ataques em março deste ano, alegando retaliação a ações israelenses e ao assassinato de uma liderança iraniana.
Atual escalada
A fase atual do conflito está ligada à intensificação das tensões no Oriente Médio desde 2023, com impactos diretos da guerra envolvendo a Faixa de Gaza. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em apoio aos palestinos.
Embora um acordo de cessar-fogo tenha sido firmado em novembro de 2024, Israel manteve ataques pontuais ao longo dos meses seguintes, alegando atingir estruturas militares do grupo. A retomada recente das ofensivas marca um novo momento de instabilidade na região.
Fonte: cenariomt





