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Irã acusa EUA de sabotar negociações e critica Trump: entenda a polêmica

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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira (2), em Brasília, que os Estados Unidos não demonstram interesse real em um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Segundo o diplomata, as negociações poderiam avançar por meio do diálogo, mas estariam sendo prejudicadas por ações de Washington e de Israel.

De acordo com Nekounam, uma reunião técnica sobre questões nucleares estava prevista para ocorrer em Viena, sob mediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas o processo teria sido afetado pelo que classificou como interferências externas. Para o embaixador, as negociações teriam sido utilizadas como pretexto para pressionar por uma mudança de regime em Teerã.

Durante a coletiva, o diplomata criticou a postura do governo norte-americano e afirmou que a República Islâmica mantém uma política de independência há 47 anos. Ele também declarou que o país reorganizou rapidamente sua estrutura de comando após a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no último sábado (28).

Segundo Nekounam, um Conselho de Liderança Interino assumiu as funções de forma imediata, garantindo a continuidade da administração e da defesa nacional até que a Assembleia dos Especialistas escolha um novo líder supremo.

Analistas ouvidos pela imprensa avaliam que uma eventual mudança de regime no Irã poderia ter impactos geopolíticos mais amplos, incluindo a contenção da influência econômica da China e o fortalecimento da posição estratégica de Israel no Oriente Médio.

Estados Unidos e Israel, por sua vez, justificam as ações militares como medidas preventivas diante da suspeita de desenvolvimento de armas nucleares por Teerã. O governo iraniano sustenta que seu programa tem finalidade exclusivamente pacífica e afirma estar aberto a inspeções internacionais.

Críticas aos Estados Unidos

O embaixador também questionou a legitimidade de Washington para exercer liderança global, mencionando a repercussão política dos arquivos relacionados ao financista Jeffrey Epstein. O caso tem gerado debates nos Estados Unidos e entre aliados do país.

Posição do Brasil

Nekounam agradeceu a manifestação do governo brasileiro, que demonstrou preocupação com a escalada do conflito e condenou o uso da força. Para o diplomata, a posição do Brasil reforça princípios como soberania, integridade territorial e independência dos Estados.

O representante iraniano também defendeu o direito do país de responder militarmente a ataques, classificando as ações como legítima defesa. Segundo estimativas, ofensivas iranianas teriam atingido alvos militares norte-americanos em países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.

Contexto do conflito

Esta é a segunda escalada militar em menos de um ano envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, em meio a negociações sobre o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos.

Os Estados Unidos haviam deixado, em 2018, o acordo internacional firmado em 2015 para limitar o programa nuclear de Teerã. Desde então, Washington passou a exigir o desmantelamento das atividades nucleares, o fim do programa de mísseis de longo alcance e o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados na região.

Na véspera da recente ofensiva, o governo de Omã, mediador das negociações, indicou que as partes estavam próximas de um entendimento. Entre os pontos discutidos estaria o compromisso iraniano de não manter estoques de urânio enriquecido em níveis que permitissem a produção de armas nucleares.

Fonte: cenariomt

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