Em 2025, o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol provocou internações graves, mortes e sequelas permanentes em diferentes regiões do Brasil e também em Mato Grosso, onde já foram registradas quatro mortes por intoxicação.
O metanol é um álcool de uso industrial, altamente tóxico para o organismo humano. Quando ingerido, ele é metabolizado em substâncias que atacam o sistema nervoso, a visão e órgãos vitais, podendo causar desde náuseas e dores abdominais até cegueira, falência respiratória e morte. Diferente do etanol, que é próprio para consumo humano, o metanol não pode, em nenhuma hipótese, ser ingerido.
Como o surto começou
Os primeiros alertas surgiram no início de outubro, quando o Ministério da Saúde passou a divulgar boletins sobre notificações de intoxicação após consumo de bebidas suspeitas. O problema rapidamente ganhou dimensão nacional, com registros em vários estados e a confirmação de dezenas de casos, muitos deles em situação grave.
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São Paulo concentrou o maior número de notificações, mas Mato Grosso passou a integrar o mapa da crise a partir de outubro e novembro, quando a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) confirmou casos suspeitos e depois confirmou contaminações por metanol no estado.
Casos e mortes em Mato Grosso
Em Mato Grosso, a crise teve consequências dramáticas. O primeiro óbito registrado foi o de uma mulher de 30 anos, moradora de Várzea Grande, que morreu no dia 6 de novembro após consumir bebida adulterada. Dias depois, em 21 de novembro, morreu Márcia Guimarães, de 42 anos, moradora de Itanhangá, que ficou 18 dias internada em estado grave na UTI, entubada e recebendo tratamento com antídoto específico.
Em 6 de dezembro, foi confirmada a morte de Flávio Roberto da Mata Pereira, de 33 anos, morador de Nova Brasilândia. Ele começou a passar mal após ingerir uísque em uma festa em Planalto da Serra, em 15 de novembro. O quadro evoluiu rapidamente, ele foi transferido para o Hospital São Benedito, em Cuiabá, mas não resistiu.
No início de dezembro, um jovem de 24 anos, morador de Querência, morreu em um hospital particular de Barra do Garças. Ele deu entrada na unidade em estado grave, teve a intoxicação confirmada por exame toxicológico, mas não recebeu o antídoto específico a tempo, segundo informações da SES.
Além das mortes, houve casos de sobreviventes com sequelas. O marqueteiro Igor Thomae Rodrigues, de 27 anos, perdeu a visão após consumir bebida adulterada, mas recuperou parcialmente a capacidade visual depois de receber fomepizol, o antídoto utilizado contra o metanol.
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A SES também investigou casos em Várzea Grande e Itanhangá, onde houve dois casos confirmados em cada município. O caso de Flávio, embora tenha evoluído para óbito, ainda não aparece no painel oficial da secretaria.
Monitoramento
Diante da gravidade do cenário, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação para monitorar casos em todo o país, padronizar notificações e orientar a rede hospitalar. A Vigilância Sanitária intensificou fiscalizações em bares, distribuidoras e comércios, além de divulgar listas de lotes e marcas sob suspeita de adulteração.
O Ministério Público passou a cobrar ações mais rigorosas de fiscalização e rastreabilidade, enquanto especialistas reforçaram o alerta de que intoxicação por metanol é uma emergência médica e que o tempo de resposta é decisivo para salvar vidas e evitar sequelas.
Saiba como reconhecer os sinais e agir rápido
O perigo ocorre quando o metanol é utilizado de forma ilegal, como em casos recentes de adulteração de bebidas alcoólicas, ou por manipulação incorreta.
Os principais sintomas podem variar conforme o órgão atingido. Entre os mais comuns estão:
- Alterações ou perda da visão
- Náusea e vômitos
- Dor abdominal
- Confusão mental
- Sonolência e tontura
- Dor de cabeça
- Fraqueza muscular
O médico e toxicologista do Ciatox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica), Sandro Benites, reforça a atenção para sintomas que surgem cerca de 12 horas após o consumo de bebida alcoólica.
Fonte: primeirapagina






