A inteligência artificial ou IA é um campo da ciência da computação, que vem sendo desenvolvido há décadas, com o intuito de que a máquina realize tarefas que, a princípio, necessitariam da inteligência humana para criá-las ou ampliá-las.
O desenvolvimento da máquina tem sido além das expectativas de gerações passadas ou até mesmo de seus criadores, uma vez que hoje elas são capazes de reconhecer um problema, compreendê-lo, aprender com ele e tomar decisões a partir desse aprendizado.
Os programas atuais de computação trabalham com semiautonomia, mas há crescente busca de autonomia total, que, além da capacidade atual da informática, consiste em fazer a máquina pensar e agir de acordo com o que melhor lhe convier.
A inteligência artificial ocupa um papel importante e cada vez maior na saúde geral, incluindo a saúde mental com a criação e aperfeiçoamento de novas ferramentas complementares ao diagnóstico e tratamento das enfermidades da mente.
É claro que precisamos enfatizar que essas ferramentas são complementares e não suplementares, ou seja, não substituem a atuação do profissional de saúde mental, capacitado a transformar a hipótese diagnóstica em diagnóstico definitivo e definir a melhor conduta de tratamento.
A vantagem da IA como complemento fica na celeridade de análise de grande quantidade de dados e classificá-los nos diversos protocolos médicos. Estes, porém, nem sempre condizem com a realidade da entrevista clínica presencial, ou até mesmo on-line, em que se percebe não apenas o que é relatado, mas como é feito tal relato, incluindo verbalização, mímica, comportamento, afetividade, etc.
A inteligência Artificial tem se mostrado mais efetiva como aplicativo de triagem para identificar possíveis problemas emocionais e direcionar pacientes para melhor avaliação, diagnóstico e conduta de um psiquiatra.
Atualmente, há programas de disponibilização do uso da IA como uma ferramenta baseada na terapia cognitivo comportamental, de baixo custo, para ajudar pacientes, principalmente aqueles que moram distante de centros que disponibilizem este serviço ou que tenham maior dificuldade financeira.
Ainda há mais um fator a considerar, o fato de que algumas pessoas se sentem mais à vontade ao interagir com a máquina do que com o ser humano.
Apesar de isso tudo justificar, em parte, que o uso da máquina é melhor do que nada fazer, vejo isso com algum grau de receio, haja vista que uma orientação errada pode ser pior do que nenhuma orientação.
Há, ainda uma grande preocupação com o uso excessivo de IA, que corrobora o uso excessivo da própria máquina, contribuindo com a dependência de internet, principalmente das gerações mais novas, que crescem juntamente com o avanço tecnológico.
Outro ponto negativo é que pode ocorrer maior isolamento social ou total solidão ao preferir-se o contato com a máquina ao invés de fazê-lo com outras pessoas. A perda da capacidade de reflexão sobre suas próprias emoções, deixando isso a cargo da máquina, termina sendo outra preocupação relacionada à tecnologia.
Precisamos ter em mente que a máquina não pode – e acredito que jamais poderá – substituir a mente humana, tal a complexidade desta, ainda pouco compreendida pelo próprio homem.
Nem nós mesmos compreendemos, por completo, nossa própria mente. Combinar adequadamente ser humano e máquina pode trazer grandes benefícios à saúde, desde que não abramos mão da ética e do ajuste fino intrínseco do ser humano.
Por fim, a individualização do tratamento, o toque humano, a empatia, o vínculo terapêutico e a humanização do atendimento me parecem inerentes apenas ao homem e julgo, salvo engano, talvez por subestimar o desenvolvimento tecnológico no tocante à saúde mental, não ser o homem passível de substituição pela máquina.
E mais, penso que para entender um cérebro humano, apenas outro cérebro humano, ou nem mesmo isso, visto a complexidade desta máquina natural que habita o cérebro — a mente.
Fonte: primeirapagina