A inflação acumulada para este ano pode estourar o teto da meta e chegar a 4,71% de acordo com dados do Relatório Focus, do Banco Central, divulgado na manhã desta segunda-feira (13). O boletim apurado com mais de 100 agentes do mercado financeiro confirma uma forte preocupação com os efeitos da guerra no Oriente Médio, que teve mais uma rodada de negociação entre os Estados Unidos e o Irã fracassada neste final de semana.
A previsão de estouro da meta de 4,5% também reflete uma nova dificuldade que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter com a esperança de que o Banco Central reduzirá mais a taxa básica de juros, atualmente em 14,75%. Isso, porquê, a inflação alta impacta diretamente na definição da Selic, que tende a ser mais alta para conter a escalada dos preços.
Mais cedo, o preço do petróleo no mercado internacional passou novamente dos US$ 100, pressionando o preço dos combustíveis e, por consequência, o pacote de subsídios do governo aos produtores e importadores de diesel. Com o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã, o fim do conflito fica mais distante – pressionando diretamente nas medidas tomadas pelo governo até o momento.
Há pouco mais de um mês, antes do início da guerra, a expectativa do mercado financeiro era de que a inflação do ano poderia terminar o mais próximo possível do centro da meta, de 3% – há uma “banda” de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O resultado seria usado pelo presidente Lula como um trunfo para a campanha eleitoral, como ele já costuma falar em seus discursos de que conseguiu, no ano passado, ter um dos menores índices de inflação nos últimos anos.
“O dado mais sensível do Focus não é apenas a inflação acima do teto, mas o fato de ela voltar a subir sem que a atividade mostre força para compensar esse custo. Quando o mercado passa a revisar o IPCA para cima e mantém a Selic em patamar elevado, o sistema inteiro de financiamento fica mais exigente”, explica Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, em referência à previsão de que o PIB brasileiro crescerá apenas 1,85% neste ano.
Segundo o Relatório Focus desta segunda-feira (13), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) só deve voltar para dentro da meta no ano que vem, quando chegará a 3,91%.
Já a taxa básica de juros, segundo estimam os agentes financeiros, deve terminar o ano em 12,5%, enquanto que há um mês era estimada em 12,25%. Esse aumento de 0,25 ponto percentual também é um reflexo da preocupação com o avanço da inflação por causa da guerra.
Com a inflação ganhando força ao longo do ano, os impactos chegam na população diretamente por causa dos custos de transporte e alimentos, que têm peso relevante nos índices oficiais. Mesmo com medidas de curto prazo para conter os preços, os efeitos se mostram claros nas prateleiras dos supermercados e no eventual aumento de impostos sob pressão nas contas públicas.
Esse avanço inflacionário começa pelo diesel, que é a base do transporte de cargas no país e influencia praticamente toda a cadeia de consumo. Quando o combustível sobe, o frete fica mais caro e esse custo é rapidamente repassado para produtos e serviços, elevando os preços de forma generalizada principalmente em alimentos básicos, como arroz, feijão, carne, leite e pão, que dependem de logística constante entre produção e venda.
Além disso, itens como o gás de cozinha e as passagens aéreas também sofrem pressão direta do petróleo, ampliando o efeito no orçamento das famílias.
Fonte: gazetadopovo





