A história de resistência e retomada territorial dos povos indígenas Katxuyana e Kahyana será apresentada em uma exposição no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A mostra Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros reúne fotografias, relatos e artefatos produzidos pelos povos desde a década de 1960.
As obras preservam memórias e patrimônios que foram dispersados ao longo do tempo, especialmente após parte dos indígenas ser retirada de seus territórios tradicionais e submetida ao isolamento.
Para Angela Kaxuyana, liderança indígena da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk), a exposição representa uma oportunidade de apresentar as histórias de resistência dos povos diante de um processo marcado pela violência e por tentativas de apagamento de sua existência.
Retomada do território
Os Katxuyana e Kahyana, juntamente com outros 16 povos, alguns deles isolados, tradicionalmente ocupam uma região no oeste do Pará, próxima à divisa com o Amazonas. Na década de 1960, os povos foram removidos de seus territórios durante processos de colonização da Amazônia conduzidos no período do regime militar.
A ligação com o território, porém, permaneceu preservada. Em 2008, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) iniciou o processo de demarcação da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, área de aproximadamente 2 milhões de hectares que abrange Faro e Oriximiná, no Pará, e Nhamundá, no Amazonas.
A demarcação foi concluída em 2025, quando um decreto reconheceu a homologação da terra indígena, considerada a etapa final do processo de devolução do território aos povos.
Curadoria reúne peças históricas e atuais
A exposição também aborda a relação dos povos com a terra, os rios, os antepassados e seus modos de vida. A seleção foi realizada por meio de uma curadoria compartilhada entre o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o Museu Paraense Emílio Goeldi.
Segundo Lúcia van Velthem, museóloga e pesquisadora do Museu Emílio Goeldi, a mostra reúne tanto peças produzidas e utilizadas atualmente pelos Katxuyana e Kahyana quanto objetos pertencentes à Coleção Etnográfica do museu, coletados pelo pesquisador Protásio Frikel na década de 1960.
Entre os itens de destaque está o txamatxama, artefato plumário utilizado em práticas de diplomacia entre povos e na comunicação com outros seres vivos. O objeto possui relevância cosmológica e sociopolítica para os Katxuyana e Kahyana.
Visitação
A exposição ficará aberta ao público até 30 de abril de 2027, de quarta-feira a domingo, das 9h às 16h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, localizado no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
Fonte: cenariomt





