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Indígenas aprendem técnicas de irrigação e agrofloresta para segurança alimentar e hídrica

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Em Barra do Garças, no leste de Mato Grosso, duas aldeias Xavante estão transformando a forma de produzir alimento e lidar com a seca. Com oficinas práticas e sistemas simples, como a roda d’água e a agrofloresta, os moradores das aldeias São Brás e Wederã conquistaram mais autonomia para garantir água e comida durante todo o ano.

O projeto “Ö ihöibaré, abhu tsima ‘wara – Água viva, Cerrado em pé”, executado entre 2022 e 2024 pelo Instituto Flor de Ibez com apoio do Programa REM MT, destinou R$ 359 mil para implantar sistemas de irrigação, quintais produtivos e agroflorestas nas aldeias São Brás e Wederã.

Água como eixo de autonomia

Um dos principais desafios enfrentados pelos Xavante é a falta de água nos meses de estiagem. Para enfrentar essa realidade, foi implantado um sistema de bombeamento por roda d’água no rio São Marcos, que abastece reservatórios de 15 mil litros e mantém irrigação por gotejamento em áreas cultivadas. Além disso, foram perfurados poços artesianos e construídas cacimbas e barraginhas, que auxiliam na infiltração de águas pluviais e fortalecem as nascentes.

Agroflorestas e produção sustentável

O projeto apostou na implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) como estratégia de segurança alimentar e recuperação ambiental. Mais de 4 mil mudas de árvores foram plantadas, entre espécies nativas do Cerrado, como pequi, baru e jatobá, e frutíferas, como banana, abacate e cítricos. No caso do buriti, considerado essencial para a cultura Xavante, foram mais de 1,5 mil mudas em campo, além de 400 produzidas em viveiro e cerca de 3 mil sementes semeadas. Também foram criados berços de hortaliças e mamão, reforçando a diversidade alimentar.

Na aldeia Wederã, foi organizada uma parcela comunitária de agrofloresta, além de quintais agroflorestais familiares, garantindo produção contínua e diversificada. Para proteger essas áreas contra incêndios, foi construído um aceiro de sete quilômetros, que reduz o risco de destruição das roças e agroflorestas em períodos de fogo no Cerrado.

Formação e protagonismo indígena

As ações não se limitaram à implantação de sistemas. Foram realizadas oficinas de restauração ecológica, agrofloresta sintrópica, irrigação e produção de mudas em viveiros, com o objetivo de capacitar os próprios indígenas para manter e multiplicar as técnicas. A proposta é que a Aldeia São Brás se torne uma Unidade de Referência Tecnológica (URT), irradiando práticas sustentáveis para outras comunidades.

Resgate cultural e saúde

A mudança alimentar promovida pelo projeto também é significativa. O fortalecimento da produção de alimentos tradicionais do Cerrado busca reduzir a dependência de produtos industrializados, responsáveis pelo aumento de casos de diabetes e hipertensão nas aldeias. Com o cultivo local, as comunidades voltam a ter acesso a alimentos com maior valor nutricional e adaptados à cultura alimentar Xavante.

Legado

Mais do que sistemas de irrigação e áreas de agrofloresta implantadas, o resultado central foi a conscientização coletiva sobre a importância de recuperar nascentes, proteger o Cerrado e produzir alimentos perto das aldeias. O projeto também produziu dois documentários, registrando o processo nas comunidades São Brás e Wederã, disponíveis no canal do Programa REM MT no YouTube.

Fonte: primeirapagina

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