Notícias

Impactos da Ação Hormonal durante o Sono na Saúde Mental: O Que Você Precisa Saber

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

O equilíbrio existe e é necessário para promover harmonia na vida animal, vegetal e em toda a natureza, quer se trate de seres vivos ou seres inanimados. No sono não é diferente, é necessário que haja um equilíbrio entre as fases, mais especificamente, entre os estágios. Quando não existe equilíbrio, quando a harmonia entre os estágios é perturbada, há consequências para a cognição e para o humor, com riscos para a saúde mental. 

Vídeo: Marcos Estevão

É importante compreendermos o papel de dois hormônios cruciais aos estados de sono e vigília: Melatonina e Cortisol. A melatonina nos abre a porta do sono e o cortisol nos direciona à vigília. A Melatonina é produzida pela glândula pineal no período noturno, quando há ausência de luz, ela facilita a redução da temperatura corporal, provoca o adormecimento e a entrada no sono NREM. Seu maior pico é no início da noite, permanecendo elevada durante o sono, reduzindo seus níveis ao raiar do dia. O Cortisol, por seu lado, tem ação estimulante e mantém-se baixo no período noturno, aumentando lentamente na segunda metade do sono, mais próximo ao estágio REM tardio, favorecendo o despertar natural pouco tempo depois. 

O sono de ondas lentas ou sono profundo (N3) é a fase do reparo físico e mental. É durante o sono noturno que ocorre 70% da secreção diária do Hormônio do Crescimento (GH) e é nesta fase do sono que a maior parte do GH é liberada. A diminuição ou ausência do sono profundo priva a liberação de GH, favorecendo o envelhecimento, dificultando a recuperação física e o crescimento. 

O TSH, hormônio tireoidiano também tem sua importância dentro do sono noturno, com pico no início da noite, caindo rapidamente, antes do primeiro episódio de sono profundo, parecendo ter sua queda uma ação facilitadora no início da fase N3, uma vez que o aumento TSH no hipertireoidismo pode causar fragmentações nesta fase do sono.

A Testosterona também tem sua liberação maior durante o sono profundo e quando este é privado, ocorre diminuição deste hormônio, que resulta em apatia, cansaço e diminuição da libido. 

Há ainda em N3 a regulação do apetite, pelo efeito de dois hormônios: Leptina e Grelina. A Leptina aumenta durante o sono e indica saciedade; a Grelina sinaliza fome, mas que diminui com o sono, deixando a sensação de satisfação. A privação do sono não permite o aumento do primeiro, nem a diminuição do segundo, com consequente aumento do apetite, especialmente por carboidratos, por toda a madrugada.

A redução de N3 pode ocorrer ainda por causa do envelhecimento natural, em razão de estresse, uso de álcool e drogas de abuso, alguns medicamentos e síndrome de apneia obstrutiva do sono. 

O estágio do sono REM ou sono dos sonhos, é caracterizado por grande atividade cerebral, porém com ausência de atividade muscular. A diminuição ou supressão crônica do sono REM pode prejudicar a consolidação emocional e o controle do estresse diário. O sono REM é reduzido, devido ao uso de álcool, drogas ilícitas de abuso e de alguns medicamentos. 

É comum encontrarmos nas patologias psiquiátricas diminuição ou abolição do sono profundo e do sono dos sonhos, com grande impacto na saúde mental, uma vez que a diminuição de um ou de ambos os estágios aumenta a ocorrência de ansiedade, depressão e déficits cognitivos. Outras causas comuns de fragmentação do sono são apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, dor crônica e estresse. 

O sono excessivo ou hipersonia reflete um sono não eficiente, geralmente com menos N3 ou REM. Dormir demais não significa ter um sono saudável, pelo contrário, é sinal de preocupação. 

Quando o sono é fragmentado, cria-se desregulação neuroendócrina, que favorece doenças físicas e transtornos psiquiátricos. Felizmente, o esperado e o que comumente acontece, a arquitetura do sono é preservada e os hormônios desempenham seu papel de reparador do corpo e regulador das emoções. 

Para melhorar a sono noturno e preservarmos sua arquitetura, devemos nos preocupar com o que chamamos de higiene do sono, baseada em dormir na hora certa; evitar sons, luzes e qualquer tipo de estimulante antes de dormir, assim como diminuir ou abolir o consumo de álcool e outras substâncias psicoativas de abuso. 

Muitas vezes devemos recorrer à ajuda profissional, geralmente de um psiquiatra ou neurologista, para rever o uso de certos medicamentos e tratar condições como apneia do sono, por exemplo. O apoio psicológico com o uso da terapia cognitivo comportamental (TCC) para insônia tem se mostrado de grande importância. 

Devemos compreender que a ação hormonal durante a noite é saudável, quando encontra o sono com sua arquitetura preservada, ou seja, com todos os estágios bem distribuídos no tempo adequado de horas dormidas e assim propiciar o que é biológico e esperado, que a ação hormonal faça seu papel e se conecte positivamente à saúde mental.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.