é postdoc em Life Cycle Assessment and Environmental Sciences na Lund University (Suécia). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por cientistas. Vale a visita.
Tudo o que comemos gera impactos ambientais: do uso do solo na lavoura, passando pelo transporte, processamento, consumo e descarte de embalagens e resíduos. Entender esse impacto ambiental da alimentação é complexo, mas já existem informações suficientes para orientar decisões mais bem informadas.
Escolhas sobre o tipo de alimento, quantidade e origem, além do planejamento e de refletir sobre nossa cultura do preparo em excesso são pontos fundamentais para reduzir o impacto dos sistemas alimentares.
Siga
Esses impactos não são facilmente comparáveis: a expansão agrícola pressiona a biodiversidade, os resíduos mal gerenciados contaminam rios e oceanos, e o transporte movido a combustíveis fósseis intensifica as mudanças climáticas. Mesmo as alternativas renováveis para combustíveis e energia acabam por criar uma competição por uso do solo.
Destrinchando os impactos ambientais da nossa comida
A produção agrícola tem grande influência nos impactos climáticos, pois gases de efeito estufa são emitidos pelo manejo do solo, pelas emissões entéricas de animais ruminantes e até mesmo pelo metano produzido em áreas de cultivo de arroz inundado. Há também emissões devidas à produção de fertilizantes e combustíveis usados no maquinário.
No caso da biodiversidade, um estudo global identificou que cerca de 20 países concentram a maior parte do impacto do uso do solo por lavouras. E o Brasil está entre os principais contribuidores desses impactos, não apenas pela escala do uso do solo, mas também pelo contexto ecológico.
À primeira vista, as pastagens podem dar a impressão de baixo ou nenhum impacto ambiental. E, dependendo do manejo das pastagens, elas realmente podem ter baixo impacto e podem até acumular carbono, o que é benéfico para o clima. Contudo, cientistas estimam que as pastagens contribuam com emissões de gases de efeito estufa em grande parte do Brasil.
Comer alimentos de proveniência local tem vantagens, já que distâncias mais curtas geram menos impactos durante o transporte; porém, o transporte causa um impacto relativamente pequeno na cadeia de produção de alimentos.
No que se refere ao processamento de alimentos, pesquisadores estimam que o processamento em si gera uma parcela pequena dos impactos, em volta de 4%. Fazer comida em casa também pode parecer melhor para o meio ambiente, mas a vantagem ambiental depende de diversos fatores, como tipo e a quantidade de energia utilizada.
A carne é um produto com alto impacto ambiental, mas o impacto também pode ser altamente variável. O impacto ambiental da carne bovina depende, entre outros fatores, de se a carne é proveniente de gado de corte ou gado leiteiro. Isso porque, no caso do gado leiteiro, as emissões associadas são compartilhadas entre o leite e a carne produzidos.
Muito se fala sobre evitar desperdícios, pois todo alimento perdido acarreta impactos associados à sua produção. Porém, a vantagem ambiental dependerá também de como o alimento será aproveitado. Utilizar as folhas e os talos da beterraba em um refogado, em vez de outra verdura, gera um benefício ambiental que pode ser mensurável.
No entanto, esse nem sempre é o caso. Ao se aproveitar a casca do abacaxi para fazer um bolo com o chá do suco da casca, por exemplo, seria necessário utilizar ovos, açúcar, farinha e manteiga: e isso seria pouco justificável do ponto de vista ambiental.
Isso porque, além do uso do forno, todos esses ingredientes trazem impactos adicionais associados à energia e à sua produção, enquanto a casca que sobrará ainda deverá ser descartada. A questão mais importante a se colocar é se o bolo seria feito de qualquer jeito ou se foi feito apenas para aproveitar as sobras da casca do abacaxi.
O impacto das embalagens
O uso de embalagens para alimentos por varejistas gera diversos debates sobre seus impactos ambientais e sua utilidade para o consumidor. Embalagens desenvolvidas para estender a vida útil do produto, evitando perdas no transporte e reduzindo o desperdício no ponto de venda, podem representar uma vantagem ambiental.
Por outro lado, quando não há uma gestão adequada de resíduos sólidos, essas embalagens podem terminar no meio ambiente. No Brasil, 32% dos municípios encaminham seus rejeitos para lixões, e apenas 14,7% da população urbana é atendida por coleta seletiva porta a porta. Quando reciclamos, reduzimos a necessidade de extração de novos recursos, mas esse processo também consome energia e outros insumos.
Todos nós precisamos comer, e tudo o que comemos gera um impacto, mas comer de acordo com recomendações nutricionais traz vantagem para a saúde e para o ambiente. Um estudo feito para o caso do Brasil, com base em dados derivados de uma revisão bibliográfica internacional, apontou que a dieta brasileira apresenta 30% mais emissões de carbono do que o ideal para a saúde e o clima.
Precisamos entender o impacto ambiental da nossa alimentação, para que possamos tomar decisões mais bem informadas sobre o que colocamos em nossa mesa.
(function() {
‘use strict’;
var playersData = [{“container_id”:”dailymotion-player-488810-0″,”type”:”playlist”,”id”:”xbdhda”,”player_id”:”x1iumm”}];
var libraryPlayerId = “x1iumm”;
function createDailymotionPlayers() {
if (typeof dailymotion === ‘undefined’) {
return false;
}
playersData.forEach(function(playerData) {
var config = {
params: {
mute: true
}
};
if (playerData.type === ‘video’) {
config.video = playerData.id;
} else if (playerData.type === ‘playlist’) {
config.playlist = playerData.id;
}
if (playerData.player_id && playerData.player_id !== libraryPlayerId && playerData.player_id !== ‘default’ && playerData.player_id !== null) {
config.player = playerData.player_id;
}
dailymotion.createPlayer(playerData.container_id, config)
.then(function(player) {
var container = document.getElementById(playerData.container_id);
if (container) {
var iframe = container.querySelector(‘iframe’);
if (iframe) {
iframe.setAttribute(‘loading’, ‘lazy’);
}
}
})
.catch(function(error) {});
});
return true;
}
var retryCount = 0;
var maxRetries = 20;
function tryCreatePlayers() {
if (createDailymotionPlayers()) {
return;
}
retryCount++;
if (retryCount < maxRetries) {
setTimeout(tryCreatePlayers, 200);
}
}
if (document.readyState === 'loading') {
document.addEventListener('DOMContentLoaded', tryCreatePlayers);
} else {
tryCreatePlayers();
}
})();
Fonte: abril






