Saúde

Hospital de Câncer de Mato Grosso revela déficit milionário devido a falta de verbas do SUS.

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O Hospital de Câncer de Mato Grosso fez um alerta contundente esta semana ao apresentar os balanços contábeis da instituição: a conta não fecha – e o rombo cresce mês a mês. A instituição afirma que os repasses do governo estadual, já abaixo do necessário para manter a operação, não são pagos integralmente.

Enquanto o custo mensal do hospital varia entre R$ 10 milhões e R$ 11 milhões, o contrato prevê repasses de R$ 7,8 milhões. Na prática, porém, o valor efetivamente recebido gira em torno de R$ 5 milhões, menos da metade do que é necessário para assegurar o atendimento oncológico.

O presidente Laudemir Moreira Nogueira e a diretora administrativa Renata Oliveira apresentaram números que, segundo eles, escancaram uma realidade insustentável. O hospital relata que o maior faturamento já registrado foi de R$ 6,8 milhões, valor que nunca alcançou o teto contratual. Nos últimos meses, a média caiu ainda mais, impactada pelo método de cálculo adotado pelo Estado, que estaria gerando perdas significativas.

A direção levou o problema à Assembleia Legislativa, que já pediu auditoria ao Tribunal de Contas. “Não temos receio de fiscalização. Não há nada a esconder”, afirmam os gestores, ressaltando que a transparência é fundamental diante da gravidade da situação.

Embora seja uma das instituições filantrópicas que mais recebe apoio popular em Mato Grosso, o hospital reforça que as doações – cerca de R$ 10 milhões por ano – não suprem o déficit. Com aproximadamente 700 empregados, 200 médicos e mais de 150 prestadores, os custos assistenciais e a folha de pagamento são “superlativos”. “Tudo aqui é grande, inclusive o prejuízo”, resumiu a administração.

Renata Oliveira citou exemplos que ilustram o descompasso entre gasto e reembolso: uma prótese mamária custa cerca de R$ 4 mil, mas o SUS paga aproximadamente R$ 700 por procedimento. Entre janeiro e junho deste ano, foram realizadas 26 cirurgias de reconstrução mamária, grande parte custeada pela própria instituição ou viabilizada por doações.

Segundo o hospital, 94% dos pacientes atendidos são do SUS, mas o programa cobre apenas 42% de todas as despesas. Para manter as portas abertas, a unidade depende de apoio externo – especialmente do agronegócio, cujas contribuições, muitas vezes parceladas em 20 vezes ou mais, ajudam a evitar o colapso financeiro.

A direção alerta que, se nada mudar, a sustentabilidade do atendimento oncológico em Mato Grosso estará comprometida.

Fonte: leiagora

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