Híbrido a metanol agora é real: o que a Geely viu nesse combustível que as rivais ignoraram?
Geely Starshine 6 Methanol Hybrid 2026 é sedã chinês de R$ 53 mil que desafia o mercado de elétricos com combustível alternativo
Enquanto a maioria das montadoras corre para eletrificar suas frotas com baterias gigantes, a Geely resolveu “olhar para o lado”. O registro do novo Starshine 6 Methanol Hybrid na China sinaliza que a gigante chinesa (dona da Volvo e da Lotus) não vai colocar todos os seus ovos na cesta da eletricidade pura, apostando em um combustível que muitos consideravam esquecido: o metanol.
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Por que a Geely está apostando no metanol em vez do hidrogênio?
O metanol é visto pela Geely como o “hidrogênio líquido”. Diferente do hidrogênio gasoso, que exige tanques de altíssima pressão e uma infraestrutura de transporte caríssima, o metanol é líquido em temperatura ambiente. Isso significa que ele pode ser armazenado, transportado e bombeado usando a mesma infraestrutura que já temos para a gasolina e o diesel.
Além disso, o metanol possui uma octanagem elevadíssima (acima de 100 RON), permitindo que motores pequenos trabalhem com taxas de compressão mais altas, gerando mais eficiência.
A Geely trabalha com essa tecnologia há mais de uma década e já provou sua robustez em testes extremos, de 40°C, onde os carros 100% elétricos costumam perder autonomia e velocidade de recarga.
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Como é novo Geely Starshine 6
O Starshine 6 2026 é um sedã médio com foco familiar que agora ganha essa motorização exótica. Ele utiliza o sistema EM-i 2.0, mas adaptado para queimar álcool metílico.
Confira alguns dados técnicos:
| Atributo | Detalhes |
| Motor Combustão | 1.5 aspirado (otimizado para metanol) |
| Potência (Motor) | 93 kW (aprox. 126 cv) |
| Bateria | LFP (Fosfato de Ferro-Lítio) |
| Comprimento | 4.806 mm |
| Entre-eixos | 2.756 mm |
| Rodas | 16 ou 17 polegadas |
Visualmente, o modelo mantém a sobriedade da linha Galaxy, com maçanetas convencionais e uma traseira marcada por lanternas em LED de ponta a ponta.
Quanto custa novo Geely Starshine 6?
O objetivo aqui não é ser futurista, mas ser barato e funcional. Na China, por exemplo, os preços variam entre R$ 53.300 e R$ 75.500 (em conversão direta), o que o coloca no “olho do furacão” contra o BYD Qin L.
Esse será o preço praticado por aqui (caso um dia o modelo pise em solo brasileiro)? Provavelmente não devido nossa carga tributária.
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Afinal, o metanol tem chance no Brasil?
No Brasil, o cenário é curioso. Nós já temos uma infraestrutura de álcool (etanol) consolidada, o que torna o metanol um concorrente redundante.
Embora o metanol seja quimicamente brilhante para a eficiência, ele tem um “lado sombrio” que a Geely não costuma alardear em peças publicitárias: a toxicidade.
Diferente do nosso etanol de cana-de-açúcar, o metanol é altamente tóxico se ingerido ou absorvido pela pele e pode ser corrosivo para componentes de borracha e metal se o motor não for devidamente preparado. Em solo brasileiro, a aposta lógica continua sendo o híbrido-flex a etanol, que oferece benefícios ambientais similares sem os riscos químicos do metanol.
Para países com grandes reservas de carvão ou gás natural (como a China), transformar esses recursos em metanol é uma forma de garantir soberania energética. É uma tendência real, mas que deve ficar restrita a mercados específicos onde o custo de produção do combustível seja subsidiado ou muito baixo.
Você daria uma chance para um carro “movido a álcool chinês”? Será que o metanol pode ser uma alternativa viável para quem não tem onde carregar um carro elétrico, ou o Brasil já resolveu esse problema com o nosso etanol?
Escrito por
Formada em Administração de Empresas, Jornalismo e mestranda em Comunicação. Apaixonada por setor automobilístico, true crime e livros. Fiz da escrita e produção de conteúdo sua paixão e profissão.
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Fonte: garagem360










