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Guerras e Saúde Mental: Como o Conflito Afeta o Bem-Estar Psicológico

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Falamos na semana passada sobre o mundo em guerra e da tensão advinda desta violência mundial. Trata-se de uma tensão duradoura, com riscos à existência da espécie humana no planeta, o que acarreta consequências profundas no psiquismo individual e coletivo, muitas vezes invisíveis, mas estão lá, dentro da alma de cada habitante deste planeta.

Fatos que ocorreram recentemente, os que vêm ocorrendo e aqueles que podem estar prestes a acontecer carregam memórias traumáticas e previsões mais traumáticas ainda, uma vez que contam com o desconhecido, porém previsível e temido por todos nós.

É uma ameaça constante de aniquilação, que pode culminar com uma série de transtornos mentais, que se renova a cada geração. A tensão hoje já inicia com o poder de fogo cada vez maior das grandes potências. O que mais nos afeta, porém, é a tensão nuclear, já vimos isso no final da Segunda Guerra Mundial e parece não estar longe de se repetir tamanho desvario.

Hoje somos apenas espectadores e já sofremos por isso. Nosso sofrimento deixou de ser individual e tornou-se coletivo. Podemos, a qualquer momento, deixar a condição de espectadores para nos transformar em alvos. O estresse agudo e pós-traumático fazem parte da sociedade moderna, uma avalanche de ansiedade existencial, que tem sido chamada de “ansiedade de fim do mundo”, que nos faz viver um temor paralisante, pois ficamos enclausurados na nossa própria impotência.

É difícil saber se devemos construir abrigos ou estocar comida ou coisa que nos pareça essencial em caso de guerra. O que acontece é algo bem mais cruel do que no tempo da pandemia, quando não se sabia se haveria vida no dia seguinte, mas, pelo menos, toda a humanidade estava do mesmo lado, lutando contra ela, desenvolvendo seu arsenal para enfrentá-la.

Agora não, o mundo se divide e não sabemos se vem algo contra nós e nem de que lado pode partir tal ameaça, como se existisse um inimigo invisível, que pode vir sobre nós com brutal violência.

Surgem então sintomas de ansiedade generalizada, ataques de pânico, sintomas fóbicos e depressivos, alteração do apetite e insônia, ou sono de má qualidade repleto de pesadelos. A isso se acresce o aumento de consumo de álcool, tabaco e tranquilizantes.

Há aumento, também, do consumo de drogas ilícitas, tudo como tentativa errada e prejudicial de diminuir o sofrimento por algo que já aconteceu ou que tem possibilidade de vir a tornar-se realidade. A irritabilidade e hostilidade são outros sentimentos constantes em momentos como este, repercutindo nos relacionamentos profissionais e até mesmo familiares, podendo ter, como consequência, perda de empregos e separações conjugais.

A criança é extremamente prejudicada pelo estado constante de estresse, que influencia no seu desenvolvimento cerebral e a faz perder a confiança no mundo. Precisamos mostrar a elas que o mal existe, mas que, a princípio o ser humano é bom e não podemos generalizar a humanidade por seus atos desumanos.

É claro que nós, ainda simples espectadores, não podemos nos comparar com aqueles que vivem dentro desses conflitos por anos a fio, como é o caso dos povos do Oriente Médio, em guerra há dezenas de anos, com tréguas temporárias, que logo dão lugar a novos conflitos. Para esses, o sofrimento é muito maior.

O estresse provocado pela violência do mundo atual é grave, porque não se trata de um evento traumático único, mas uma exposição continua à violência, com ações imprevisíveis, procedentes de qualquer direção. Isso deixa as populações em estado ininterrupto de alerta e medo.

Felizmente a capacidade de resiliência humana é magnífica e para aumentá-la, buscamos nos fortalecer através de redes de amigos, religião, atividades culturais e outras. Não significa esquecer ou negar o sofrimento, mas elaborá-lo melhor e integrá-lo à história, para conhecer nossa espécie cada vez mais. É inegável o impacto da violência humana na saúde mental do próprio ser humano. A paz seria a cura total para todos os males causados pelas guerras. Parece algo utópico, porém jamais perdemos a esperança.

Fonte: primeirapagina

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