Saúde

Google planeja liberar 32 milhões de mosquitos nos EUA: entenda a razão por trás da iniciativa

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2026

A Google, uma multinacional norte-americana do ramo da tecnologia, solicitou à Agência de Proteção Ambiental dos EUA uma licença para levar a frente o plano de soltar 32 milhões de mosquitos no país.

O órgão poderá decidir se acatará ou não o pedido da empresa a partir do dia 5 de junho, após o final do período de consulta pública. De acordo com nota veiculada no Registro Federal, o plano da Google é liberar anualmente, por dois anos, 16 milhões de pernilongos (Culex quinquefasciatus) nos estados da Flórida e da Califórnia. Os mosquitos, como o trecho detalha, são todos machos, e seriam infectados com a bactéria Wolbachia pipientis.

Para os desavisados, o caso pode soar alarmante, mas a justificativa por trás do projeto é bem mais razoável e sanitária, do que parece. Mosquitos machos esterilizados com bactérias do gênero Wolbachia têm sido usados para controlar a proliferação de doenças por mais de uma década. Agora, especialistas do projeto Debug, da Google, estão estudando maneiras de aplicar esse método em larga escala.

“Estamos tentando parar os mosquitos ruins criando e soltando os bons”, resume o site do projeto. Trata-se, é claro, de uma simplificação: não existem organismos essencialmente bons ou ruins na natureza – mas alguns certamente trazem riscos maiores para a vida dos humanos.

Por que não podemos extinguir todos os mosquitos?

Mosquitos são os animais que mais matam pessoas no mundo, mais do que todos os outros animais (excluindo humanos) somados. Cerca de 1 milhão de pessoas morrem todo ano devido a doenças transmitidas pelos mosquitos, como a malária e a dengue.

“Nossos mosquitos bons são machos que carregam uma bactéria chamada Wolbachia, que ocorre naturalmente, e os torna incapazes de gerar descendentes com as fêmeas selvagens. Mosquitos machos não picam nem transmitem doenças, portanto, os mosquitos bons impedem que os ruins se reproduzam. Com o tempo, haverá cada vez menos mosquitos transmissores de doenças”, segue a explicação da Debug.

O nome Debug é trocadilho com o processo de correção de bugs (insetos) em softwares. O projeto surgiu em 2016, reunindo biólogos, engenheiros de software e especialistas em automação, e tem como objetivo controlar as populações de mosquitos por meio da esterilização. Essa é a técnica do inseto estéril, um método de controle biológico que tem sido usado em moscas e mariposas desde os anos 1950.

O método consiste em soltar machos inférteis na natureza para que eles acasalem com as fêmeas selvagens. Desse acasalamento, não sai nenhum filhote. Assim, com o passar das gerações, as populações desses insetos diminuam cada vez mais, até sumirem de vez.

Essa é uma forma de controle biológico muito mais localizada que os pesticidas químicos – afinal, animais só acasalam com indivíduos da sua mesma espécie. “Mas isso nunca funcionou com mosquitos em uma escala suficientemente grande para interromper a transmissão de doenças. Os mosquitos são frágeis e difíceis de criar nas quantidades necessárias”, afirma a Debug.

Partindo desse problema, os especialistas da iniciativa projetaram técnicas que permitem a esterilização de mosquitos em larga escala. Os pesquisadores projetaram um sistema automatizado capaz de selecionar, entre milhões de mosquitos, apenas os machos infectados com a Wolbachia para liberá-los na natureza.

Esse mecanismo teve sucesso no passado, em Singapura, onde o projeto Debug realizou sua primeira pesquisa internacional. A colaboração entre a iniciativa e a Agência Ambiental do país “alcançou uma redução de 80% a 90% na população do mosquito Aedes aegypti e uma diminuição de mais de 70% nos casos de dengue após 6 a 12 meses de liberações”, conforme comunicado lançado em maio. Na nota, a Debug também anunciou a expansão de sua atuação no país.

Dessa vez, os protagonistas são os pernilongos do gênero Culex, responsáveis pela principal causa de enfermidade transmitida por mosquitos dentro dos EUA, o vírus do Nilo Ocidental. Conforme dados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), por ano, mais de 1.300 estadunidenses são acometidos pela forma grave da doença, capaz de afetar o sistema nervoso central, e 130 morrem.

O projeto Debug é fruto da Verily, uma subsidiária da empresa controladora da Google, a Alphabet. Em março, a Verily adquiriu independência do conglomerado após uma operação de 300 milhões de dólares. Ainda assim, a Debug segue nas mãos da Google desde dezembro de 2024, quando a empresa adquiriu a totalidade do projeto.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

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