Relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) registra que o vereador Caio Cordeiro denunciou o furto de documentos relacionados à CPI do Transporte Coletivo de Várzea Grande e ameaças com o envio de uma imagem de armas de fogo. Os episódios são mencionados no contexto de uma investigação que apura suspeitas de pressão política contra parlamentares que se opunham à recondução de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara Municipal.
Segundo o relatório, pertences de Caio foram furtados de dentro do veículo dele, que estava estacionado em um supermercado na Avenida da FEB, em Várzea Grande. Entre os itens levados estavam um notebook e documentos relacionados às fiscalizações do transporte público, além de materiais ligados à tentativa de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O documento cita dois boletins de ocorrência: um de 23 de junho de 2026, referente ao furto, e outro de 26 de junho, sobre as ameaças. Conforme os registros descritos pelos investigadores, Caio recebeu uma mensagem com a imagem de uma mão segurando duas armas de fogo, acompanhada de frases intimidatórias, entre elas: “Vamo vê se a polícia vai te proteger” e “tá achando que vai atrasar nóis e vai ficar assim?”.
O relatório também menciona que uma pessoa não identificada teria entrado em contato com o vereador, demonstrado conhecimento sobre o notebook e exigido que ele retirasse o boletim de ocorrência. A cobrança teria sido acompanhada de ameaças e do envio da imagem de uma arma.
O material, porém, não aponta conclusivamente quem praticou o furto ou enviou as ameaças. O próprio Caio afirmou não ter elementos concretos para atribuir esses episódios aos agentes políticos citados no procedimento.
Atuação na CPI do Transporte
A investigação contextualiza os episódios a partir da atuação de Caio na fiscalização do transporte coletivo municipal. Segundo os relatos reunidos pelo Gaeco, o vereador recebeu reclamações sobre o cumprimento dos horários dos ônibus e passou a fiscalizar o serviço prestado pela empresa União Transportes e Turismo.
Caio também tentou avançar com a criação de uma CPI para investigar o transporte público. Em depoimento aos investigadores, afirmou que propostas legislativas relacionadas à empresa enfrentavam obstáculos e relatou ter gravações de conversas nas quais interlocutores teriam sugerido retirar a CPI em troca de vantagem financeira. Em uma dessas conversas, segundo o relato, um dos participantes afirmou que até R$ 2 milhões seriam insuficientes para resolver a questão.
O vereador declarou ainda que, depois de se posicionar contra a recondução de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara, três servidores indicados por ele foram exonerados. Também relatou pressão relacionada à sua atuação profissional como jornalista na TV Cidade Verde e atribuiu seu afastamento da emissora à recusa em apoiar a reeleição de Wanderley.
Essas circunstâncias foram registradas no material encaminhado ao Gaeco como parte do contexto de possível pressão política. A documentação, contudo, não estabelece, por si só, que as exonerações, o afastamento profissional, o furto e as ameaças tenham sido coordenados pelas mesmas pessoas.
Pen drive reúne 1.012 arquivos
O furto ganhou relevância para a apuração porque, segundo o depoimento de Caio, a mochila levada continha documentos relacionados às fiscalizações do transporte coletivo, cópias de assinaturas destinadas à instauração da CPI, contratos e uma gravação de conversa na qual Wanderley Cerqueira supostamente teria lhe oferecido dinheiro.
Caio também entregou ao Gaeco um pen drive de 32 GB com 1.012 arquivos, posteriormente submetidos a análise técnica. Os relatórios descrevem documentos, comprovantes de transferências, capturas de tela, conversas, vídeos e áudios que passaram a integrar as linhas de investigação. O dispositivo foi fornecido durante a apuração e não deve ser confundido com o notebook mencionado no relato do furto.
Entre os materiais analisados estão registros de conversas sobre a disputa pela Mesa Diretora, a distribuição de cargos e tentativas de persuadir Caio a se alinhar ao grupo de Wanderley. Os investigadores também examinaram arquivos relacionados a possíveis intimidações e à tentativa de barrar o avanço da CPI.
A existência desses registros não significa que todas as alegações tenham sido comprovadas. O conteúdo precisa ser confrontado com outros elementos, e a autoria das ameaças relatadas por Caio não foi conclusivamente estabelecida nos trechos analisados.
A Operação Cathedra Venalis apura suspeitas de articulação política para manter influência sobre a Câmara de Várzea Grande, com relatos de oferecimento de vantagens, pressão sobre vereadores e possíveis relações com interesses econômicos.
Fonte: leiagora





