Economia

Fundo de reparação de Mariana libera R$ 75,8 milhões para novos projetos de recuperação

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2026

O Fundo Rio Doce, criado para viabilizar a reparação dos impactos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, alcançou a liberação de R$ 75,8 milhões em novos projetos nos últimos três meses.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante evento realizado no Museu de Mariana. Os recursos, iniciados em fevereiro, contemplam sete iniciativas voltadas à recuperação ambiental e ao desenvolvimento sustentável da região atingida.

O maior aporte, de R$ 23,6 milhões, foi destinado ao projeto Florestas Produtivas com Barraginhas. A iniciativa prevê a implantação de 1,4 mil hectares de florestas produtivas e a construção de 4,2 mil barraginhas, estruturas que ajudam na captação e infiltração da água da chuva, contribuindo para o controle da erosão e melhoria do solo.

O projeto também inclui assistência técnica e capacitação para 4.650 unidades produtivas, com investimento total previsto de até R$ 100,89 milhões ao longo dos próximos anos.

Soluções ambientais e agrícolas

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e executado pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o projeto aposta na integração entre agricultura e preservação ambiental.

Entre as ações, estão os sistemas agroflorestais, que combinam culturas agrícolas e espécies florestais. Segundo a Anater, essa abordagem contribui para a recomposição de áreas degradadas e reduz emissões de gases de efeito estufa, além de garantir maior estabilidade produtiva no campo.

Tecnologia no campo

Outro destaque é o projeto Rio Doce Semear Digital, que recebeu aporte inicial de R$ 19,1 milhões e pode chegar a R$ 30 milhões. A proposta busca ampliar o acesso à tecnologia e conectividade no meio rural.

Serão criados quatro Centros de Propagação de Inovação Digital Inclusiva (CPIDI) em municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, todos localizados na Bacia do Rio Doce.

Além disso, os recursos também contemplam ações de consulta a comunidades quilombolas e indígenas, assistência técnica a povos tradicionais e programas de desenvolvimento integrado.

Segundo o BNDES, os repasses seguem critérios de transparência e governança para garantir a aplicação eficiente dos recursos e a geração de resultados sociais e ambientais.

Transferência de renda

Além dos investimentos no fundo, o BNDES também executa o Programa de Transferência de Renda (PTR), que atende pescadores e agricultores afetados pelo desastre.

O programa prevê pagamentos mensais de 1,5 salário mínimo durante três anos, com redução para um salário mínimo no quarto ano. Até o momento, os repasses ultrapassam R$ 950 milhões.

O desastre de Mariana

O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015 e liberou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que percorreram mais de 600 quilômetros pela Bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo.

A tragédia deixou 19 mortos e destruiu comunidades inteiras, como Bento Rodrigues e Paracatu, em Minas Gerais. Milhares de pessoas foram impactadas ao longo de dezenas de municípios.

A barragem era operada pela Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton. Desde então, o caso resultou em acordos de reparação e disputas judiciais no Brasil e no exterior.

Acordos e reparação

Um novo acordo firmado em 2024 estabeleceu R$ 170 bilhões em ações de reparação, incluindo o Fundo Rio Doce, com gestão do BNDES ao longo de 22 anos.

O modelo substituiu a Fundação Renova e definiu uma nova estrutura de governança para execução dos projetos, com acompanhamento de comitês federais e prestação de contas contínua.

O BNDES já recebeu bilhões em aportes e atua na liberação gradual dos recursos conforme aprovação dos projetos de reparação ambiental e social.

Fonte: cenariomt

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