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Fundo Brasil defende investimento em povos tradicionais: saiba mais sobre a iniciativa

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2026

O Fundo Brasil de Direitos Humanos defende que os recursos destinados ao enfrentamento da crise climática cheguem de forma mais efetiva aos povos e comunidades tradicionais. A avaliação é da diretora executiva Allyne Andrade, que assumiu o cargo em maio de 2026.

Advogada e doutora, Allyne é especialista em Teoria Crítica e construiu sua trajetória entre a atuação acadêmica, o ativismo no movimento social antirracista e o trabalho profissional. Ela ingressou no Fundo Brasil em 2020, como diretora executiva adjunta.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, a diretora afirmou que a crise climática atinge de maneira desigual as populações mais pobres, especialmente moradores de periferias e comunidades tradicionais. Segundo ela, embora existam negociações internacionais voltadas ao financiamento de ações climáticas e de adaptação, parte desses recursos não chega aos grupos que vivem diretamente nos territórios afetados.

Programa Raízes amplia apoio

O Fundo Brasil atua justamente nas lacunas de financiamento identificadas pelos movimentos sociais. Além de recursos financeiros, a fundação oferece apoio técnico e programático às organizações.

Em 2023, a instituição criou o Raízes, linha de atuação voltada à justiça climática e ao apoio de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais. Desde então, o programa já destinou mais de R$ 6 milhões em doações diretas para projetos e respostas emergenciais.

Os recursos são distribuídos por meio de editais públicos. Organizações que trabalham nos territórios podem apresentar projetos, que são avaliados por comitês externos formados por especialistas e responsáveis por definir as iniciativas prioritárias.

O programa também prevê recursos emergenciais para situações que envolvam ameaças a lideranças e comunidades. A medida considera conflitos relacionados à grilagem, ao avanço ilegal da fronteira agrícola, ao desmatamento provocado por atividades de mineração e à exploração madeireira.

Em casos de eventos climáticos extremos, como as enchentes registradas no Rio Grande do Sul, existe ainda uma linha de resposta rápida para auxiliar comunidades afetadas.

Fundo Brasil completa 20 anos

Criado por ativistas sociais como Abdias do Nascimento, Margarida Genevois, Rose Muraro e Dom Pedro Casaldáliga, o Fundo Brasil é uma fundação independente voltada ao financiamento de organizações da sociedade civil protagonizadas por pessoas e comunidades afetadas por violações de direitos.

Ao longo de duas décadas, a instituição destinou R$ 141 milhões a 2,5 mil iniciativas. Em 2025, foram R$ 32 milhões doados à sociedade civil organizada, volume quase 20% superior ao registrado em 2024.

Além da justiça climática, a fundação mantém iniciativas relacionadas ao trabalho digno, ao combate ao trabalho análogo à escravidão, aos direitos de trabalhadores de aplicativos e do cuidado e à proteção de empregados domésticos.

Entre outras frentes, estão o enfrentamento ao racismo e ao racismo digital, os direitos digitais, a proteção de pessoas LGBTQIAPN+, a defesa de direitos humanos, o combate à violência de gênero e ações na área de justiça criminal.

Nesta última frente, o Fundo Brasil apoia iniciativas voltadas à redução da prisão provisória, ao combate à tortura no sistema prisional e à implementação do Plano Pena Justa.

Próximos passos

À frente da diretoria executiva, Allyne Andrade afirma que pretende aproximar ainda mais a instituição dos movimentos sociais e das organizações da sociedade civil. A proposta também envolve uma comunicação estratégica para fortalecer a democracia e repensar os direitos humanos diante dos desafios atuais.

Em 2026, ano em que completa 20 anos, o Fundo Brasil também prevê uma conferência com ativistas, movimentos sociais, pesquisadores e representantes da iniciativa privada. O objetivo será discutir os desafios brasileiros na área de direitos humanos e os próximos caminhos para a filantropia.

Crédito: Agência Brasil.

Fonte: cenariomt

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