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Fugas de réus da direita aumentam com politização do STF: entenda!

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O engenheiro eletrônico Carlos César Moretzsohn Rocha, formado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em 1977 e presidente do Instituto Voto Legal (IVL), não é um político, não ocupou cargos no alto escalão do governo anterior e não foi flagrado depredando prédios públicos. Sua atuação técnica questionando a segurança das urnas eletrônicas em um relatório encomendado pelo PL (Partido Liberal), contudo, foi suficiente para colocá-lo na mira de um inquérito politizado do Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenado a sete anos e seis meses de prisão por suposta participação em uma trama golpista, Rocha não foi encontrado em casa no último dia 27 de dezembro, quando a Polícia Federal bateu à sua porta em São Paulo. Imediatamente, a PF o classificou como foragido.

O caso do engenheiro formado no ITA não é uma exceção. Diante de um STF cada vez mais politizado, réus e investigados ligados à direita passaram a buscar com mais frequência subterfúgios para não serem presos.

O ano de 2025 consolidou uma diáspora política sem precedentes na história recente do país. Ex-parlamentares, jornalistas e ex-agentes públicos tentaram o autoexílio após serem condenados ou ante a iminência de uma condenação, expondo a desconfiança crescente nas garantias do devido processo legal em território nacional.

A narrativa oficial, replicada por veículos alinhados ao establishment, trata o fenômeno como “fugas de criminosos”. Já há, contudo, ao menos dois casos públicos em que os sistemas de justiça de outros países não acataram pedidos de extradição feitos pelo STF: os dos jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio.

O caso de Eustáquio é o mais emblemático: a Justiça da Espanha se negou a extraditá-lo falando explicitamente em politização, ao apontar, em abril de 2025, “um risco elevado de que a situação do reclamado possa ser agravada em razão de suas opiniões políticas e de sua vinculação a determinada ideologia”.

Diante da decisão, a Advocacia-Geral da União (AGU) contratou um escritório espanhol para representar a União no processo de extradição do jornalista. Em dezembro, a Justiça espanhola rejeitou o recurso apresentado pela AGU e declarou o trânsito em julgado. Com isso, não cabem mais recursos, e Eustáquio passa a poder permanecer na Espanha de forma definitiva.

Confira outros casos em que direitistas usaram a fuga como último recurso contra a politização da Justiça brasileira, divididos por categorias.

Saíram do país e seguem soltos no exterior mesmo após decisões do STF

Além de Eustáquio, outras figuras da direita fugiram do Brasil e seguem soltas no exterior.

Alexandre Ramagem, ex diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes e é considerado foragido nos Estados Unidos. Ele também teve a extradição determinada, e o Ministério da Justiça informou em 22 de dezembro de 2025 que formalizou o pedido ao Itamaraty. Ramagem foi localizado em território americano e não retornou ao Brasil desde então.

Allan dos Santos continua nos Estados Unidos desde que teve a prisão preventiva decretada, em outubro de 2021, no âmbito dos inquéritos das fake news e das milícias digitais. O governo brasileiro solicitou sua extradição, mas os EUA não atenderam ao pedido. Ele segue vivendo na Flórida.

Léo Índio, apelido de Leonardo Rodrigues de Jesus, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro, está na Argentina e teve a prisão preventiva decretada pelo STF após deixar o Brasil. Ele é acusado de suposta participação em atos do 8 de janeiro e estava sob medidas cautelares impostas pelo Supremo. Para o ministro Alexandre de Moraes, a saída do país configurou violação das determinações judiciais.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Em novembro, ele se tornou réu no STF por suposta coação no curso do processo. Em dezembro, perdeu o mandato de deputado federal. Não há ordem de prisão contra Eduardo, mas ele segue fora do Brasil enquanto responde à ação penal.

Estão presos no exterior e aguardam decisão sobre extradição

A ex-deputada Carla Zambelli e alguns condenados do 8 de janeiro foram presos fora do Brasil, mas ainda não têm definida sua extradição.

Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho de 2025, após ter a prisão definitiva no Brasil decretada pelo STF. Detida em Roma, a deputada federal aguarda a decisão da Justiça italiana sobre a extradição, que voltou a ser adiada em dezembro. A próxima audiência está marcada para 20 de janeiro de 2026.

Cinco brasileiros condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro permanecem detidos na Argentina enquanto aguardam a execução da extradição autorizada pela Justiça local, em um processo que pode durar anos e depende do aval do presidente da República. Os nomes divulgados são Joelton Gusmão de Oliveira, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, Joel Borges Correa, Wellington Luiz Firmino e Ana Paula de Souza. Parte deles cumpre prisão domiciliar enquanto o processo segue em tramitação.

Tentaram fugir, mas foram capturados e presos no Brasil após decisão do STF

Recentemente, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso após tentar fugir do Brasil para o Paraguai em 26 de dezembro de 2025. Ele rompeu a tornozeleira eletrônica e foi detido quando estava no aeroporto de Assunção, tentando fugir para El Salvador. No dia seguinte, teve a prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes.

Esta não é a primeira vez que um alvo de inquérito do Supremo tem sua tentativa de fuga frustrada e é detido no Brasil. O deputado Zé Trovão (PL-SC) fugiu para o México após ter a prisão decretada em setembro de 2021. Em outubro do mesmo ano, retornou ao Brasil e se apresentou à Polícia Federal em Joinville (SC). Depois de cumprir prisão domiciliar, teve as medidas cautelares suspensas em 2023.

Está em paradeiro desconhecido

Carlos Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, não foi localizado pela Polícia Federal para cumprir a prisão domiciliar determinada pelo STF. Em 27 de dezembro de 2025, a PF informou que não conseguiu encontrá-lo no endereço informado e passou a tratá-lo como foragido.

Fonte: gazetadopovo

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