As gravações começaram em 25 de janeiro do ano passado, data que marcou também o início da programação de três dias da Festa de São Sebastião. O filme acompanha o festejo por meio da sabedoria oral dos idosos, destacando a fé, a coletividade e a religiosidade como elementos centrais na construção da identidade local.
O projeto é realizado com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Paulo Gustavo. As sessões contarão com recursos de acessibilidade.
Idealizado pela proponente Thamara Luiza, que assina o roteiro, a direção de produção e faz sua estreia como co-diretora geral, o documentário também faz parte de sua trajetória acadêmica.
A direção geral foi dividida com Juliana Segóvia, que também assina a direção de fotografia. “É a primeira vez que assino um projeto como proponente, responsável, pesquisadora e diretora. Dividi a direção com a Juliana, que é uma diretora que eu admiro, com um olhar super técnico, sensível e assertivo, que é exatamente o que eu queria para contar essa história”, afirma Thamara. “É a história da minha vida, da minha família e da minha comunidade.”
O filme reúne personagens que fazem parte da organização e da vivência da festa, como Dona Diva, uma das chefes da cozinha; Oreste Castelo, capelão que explica a simbologia do mastro, das rezas e do cururu; Maria do Carmo, presidente da Associação dos Devotos de São Sebastião (ADESSCOB); Ana Rosa, responsável pela equipe de liturgia; e Creonice, conhecida como a “primeira-dama”, dona do bar da comunidade e voz do Hino de São Sebastião..jpg)
Para Thamara, o processo de produção foi marcado por envolvimento coletivo. “Foi um processo que materializa um desejo e um sonho coletivo. Estar em set, conversar com os entrevistados, fazer a decupagem e ver a equipe alinhada foi uma experiência muito forte. Todo mundo estava inteiro, comprometido e entregue.”
Ela também ressalta a etapa de pós-produção e a atuação da equipe técnica, destacando Pedro Brites, responsável pelo acompanhamento do processo brilhante de montagem e finalização; os músicos Augusto Krebs e Igor Carvalho, que assinam a trilha sonora original; e Andressa Mendes, que conclui a produção executiva e assina o jurídico do projeto.
Segundo ela, “é uma honra integrar esta produção audiovisual ao lado de grandes nomes da cena cinematográfica mato-grossense, mas, sobretudo, acompanhar o amadurecimento profissional da co-diretora Thamara Luiza, que compartilha comigo, desde o final de seu mestrado, o sonho de transformar a história de sua comunidade em um registro fílmico e documental, em homenagem a seus ancestrais”.
O documentário propõe um registro do patrimônio histórico, cultural e imaterial da baixada cuiabana, evidenciando como a devoção a São Sebastião atravessa gerações. “Cresci vivenciando esse universo da festa de santo, dormindo e acordando com fogos, com cheiro de comida no fogão de lenha, com as rezas do cururu, com o povo dançando no salão. Cresci vendo minha avó e minhas tias o ano inteiro trabalhando para a festa”, relembra.
Para a co-diretora Juliana Segóvia, a relevância do documentário está no registro da memória como uma tecnologia de resistência. Segundo ela, a Festa de São Sebastião, com mais de 100 anos de existência, é um elemento fundamental para manter a comunidade coesa, criando laços que vão além da família da proponente e idealizadora do projeto, Thamara Luiza, e se estendem a toda Bocaina por meio de uma herança comunitária construída em torno do festejo.
“Todo o processo que existe para fazer todo esse momento da festa acontecer, desde a procissão até o levantar do mastro, tudo isso envolve técnica, uma elaboração do conhecimento que só uma festa de santo, que é uma expressão cultural que acontece em todo o Brasil, mas cada uma muito única e com a própria lógica. Para mim, enquanto diretora, me senti muito honrada e acredito que a Thamara confiou muito na coletividade da qual eu faço parte, que é o Aquilombamento Audiovisual Quariterê”.
Segóvia ressalta que o documentário foi estruturado a partir de uma lógica respeitosa, atenta à forma de representação e à dinâmica da própria comunidade, com destaque para o protagonismo das mulheres negras que coordenam e sustentam a realização da festa.
“A festa é fundamentalmente coordenada e gerida por essas mulheres que são as grandes protagonistas disso tudo. Estou muito contente e feliz de podermos circular esse projeto, apresentando, ainda que seja um recorte, parte do que nos constitui enquanto população de território, que é o território mato-grossense, que é tão rico e que precisa cada vez mais ser valorizado e reconhecido, projetos como esse tem esse poder de fazer isso acontecer também”.
Após as exibições em Bocaina e no Cine Teatro Cuiabá, a intenção é levar o curta para outras regiões do país. “Mesmo sendo uma festividade local, acredito que as pessoas ao redor do Brasil vão conseguir se identificar com alguns elementos: as cores, as bandeirolas, e a fé”, conclui Thamara.
THAMARA LUIZA E JULIANA SEGÓVIA
THAMARA LUIZA
ANDRESSA MENDES E MAURÍCIO PINTO
WULDSON MARCELO
JULIANA SEGÓVIA
PAULA DIAS
THAMARA LUIZA E PAULA DIAS
LARISSA SOSSAI
EMÍLIA TOP´TIRO
PEDRO BRITES
NICOLLE MACHADO
AUGUSTO KREBS E IGOR CARVALHO
KAROLA NUNES E IGOR CARVALHO
IGOR CARVALHO
NICOLLE MACHADO
JULIANA SEGÓVIA LUCAS MOREIRA, LEILA SAYURI E RICARTE CARDOSO
LUAN MELLO E POLLYANA RODRIGUES
LUAN MELLO
EDER CAIO
ANDRÉ LANA E RICARTE CARDOSO
RAQUEL NETTO
JULIA MUXFELDT
HUGO ALBERTO
PEDRO BRITES
RUTE SANTANA
LUAN MELLO E ITALO EVANGELISTA
ALEXANDRE MATA
BRUNA BARBOSA
CÉLIA DA SILVA SANTOS
MENDES COSTA ADVOCACIA
TARRAFA DISTRIBUIDORA
Fonte: Olhar Direto






