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Fávaro garante interesse do Brasil em manter negociações com China e EUA, sem tomar partido

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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), afirmou que o Brasil manterá uma postura de neutralidade nas disputas comerciais entre China e Estados Unidos e seguirá negociando com ambos os países. A declaração foi feita em entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (16), ao tratar da escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo e dos reflexos para o agronegócio brasileiro.

Segundo Fávaro, a estratégia do país é baseada na diplomacia e na ampliação do número de parceiros comerciais. “O Brasil não vai escolher lado. Temos amizade, diplomacia e respeito com todos os países do mundo, e assim continuará sendo”, afirmou. Para o ministro, a pluralidade de produtos e destinos garante segurança ao setor e reduz a dependência de mercados específicos.
Na entrevista, Fávaro atribuiu o desempenho recorde das exportações agropecuárias brasileiras à combinação de segurança sanitária, competitividade de preços e capacidade de atender grandes demandas internacionais. Ele destacou que o país não mantém contenciosos relevantes com outras nações e afirmou que o respeito às normas ambientais também tem sido um diferencial. De acordo com o ministro, o governo federal já superou a meta inicial de abrir 200 novos mercados, alcançando mais de 500 acordos desde o início da atual gestão.
O ministro citou a ampliação do portfólio de produtos exportados, que vai além de commodities tradicionais como soja, milho e carnes. Entre os exemplos, mencionou a abertura do mercado de pescados para a Austrália, de abacate para Chile e Japão e do DDG, coproduto do etanol, para Coreia do Sul e China. Também destacou a autorização para exportação de frango ao mercado israelense após a liberação do abate kosher e a entrada do algodão brasileiro no Egito.
Ao comentar os impactos do aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos no ano passado, Fávaro disse que a opção do governo brasileiro foi pelo diálogo, e não pela adoção de medidas de reciprocidade. Segundo ele, negociações diretas e a articulação entre setores privados dos dois países permitiram reduzir os efeitos das barreiras comerciais. Conforme o ministro, praticamente toda a agropecuária brasileira ficou fora das tarifas excedentes, e novos mercados foram consolidados, como o México, que se tornou o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil.
Fávaro também avaliou como positiva a aprovação, pelo conselho da União Europeia, do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul. Ele afirmou que o próximo passo esperado é a autorização formal para que a Comissão Europeia conclua o processo, após 26 anos de negociações. Para o ministro, a diplomacia brasileira teve papel central no avanço do acordo, que deve ampliar o acesso da agropecuária do Mercosul a novos mercados.
Sobre as salvaguardas previstas no acordo, que permitem a suspensão de cláusulas em caso de desequilíbrios comerciais, Fávaro disse que o foco deve estar nas oportunidades geradas. Segundo ele, os mecanismos são recíprocos e fazem parte das negociações, sem comprometer o potencial de expansão do comércio.
Ao tratar da relação entre crescimento do agronegócio e preservação ambiental, o ministro afirmou que não há contradição entre produzir e conservar. Para Fávaro, o desafio é recuperar áreas degradadas e consolidar um modelo produtivo sustentável. Ele defendeu que a proteção do clima é condição essencial para a continuidade da atividade agropecuária no longo prazo.

 

Fonte: Olhar Direto

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