As estatísticas mais recentes do Banco Central indicam que o cenário de crédito no Brasil segue desafiador para as famílias, que continuam lidando com juros elevados e maior dependência de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.
Em março, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas ficou em 61,5% ao ano, mesmo após uma leve redução de 0,4 ponto percentual no mês. O patamar ainda é considerado alto e contribui para a pressão sobre o orçamento das famílias.
Com esse nível de juros, a inadimplência no Sistema Financeiro Nacional atingiu 4,3% da carteira em março. O índice apresentou queda mensal de 0,1 ponto percentual, mas acumulou alta de 1,0 ponto percentual em 12 meses.
No recorte das famílias, a inadimplência chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 ponto percentual na comparação anual, reforçando o impacto do crédito caro no orçamento doméstico.
O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro, com leve alta no mês e aumento de 1,3 ponto percentual em um ano. Já o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,7%, também em trajetória de crescimento.
Crédito às famílias segue em expansão
O saldo total de crédito no Sistema Financeiro Nacional somou R$ 7,2 trilhões em março, com crescimento de 0,9% no mês.
Desse total, o crédito destinado às famílias chegou a R$ 4,5 trilhões, com alta mensal de 0,8% e expansão de 10,9% em um ano.
No crédito livre para pessoas físicas, o saldo atingiu R$ 2,5 trilhões, com avanço de 1,1% no mês e 12,3% em 12 meses. O Banco Central destacou o crescimento das operações com cartão de crédito à vista, crédito consignado no setor privado e financiamentos de veículos.
O crédito direcionado às famílias, que segue regras específicas de concessão, totalizou R$ 2,0 trilhões, com crescimento de 0,5% no mês e 9,3% em um ano.
Crédito ampliado supera R$ 21 trilhões
O crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 21,0 trilhões em março, equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto. No mês, houve leve retração de 0,3%, mas no acumulado de 12 meses o crescimento foi de 11,2%.
Entre as empresas, o crédito ampliado chegou a R$ 7,1 trilhões, impulsionado por operações com títulos de dívida, empréstimos externos e movimentações do Sistema Financeiro Nacional.
Os dados reforçam o cenário de expansão do crédito, mas também evidenciam o impacto persistente dos juros elevados sobre o endividamento das famílias brasileiras.
Fonte: cenariomt





