Via @jornaloglobo | Um grave erro médico ocorrido em agosto de 2020, no estado de Michigan, nos Estados Unidos, resultou em um acordo judicial de US$ 3,25 milhões (R$ 17,5 milhões, na cotação atual) entre a cidade de Southfield e a família de Timesha Beauchamp, jovem de 20 anos declarada morta enquanto ainda apresentava sinais vitais.
Em uma madrugada daquele mês, Timesha, que vivia com a família em Southfield, subúrbio de Detroit, passou a apresentar sérios problemas respiratórios. Diante da gravidade do quadro, familiares acionaram o serviço de emergência pelo número 911. Ao chegarem à residência, paramédicos constataram que a jovem não estava respirando e iniciaram manobras de reanimação, que se estenderam por cerca de 30 minutos.
Sem sucesso, a equipe entrou em contato por telefone com um médico do pronto-socorro para relatar a situação. Com base exclusivamente nas informações fornecidas, e sem examinar a paciente pessoalmente, o médico declarou Timesha morta. Ainda no mesmo dia, o corpo foi encaminhado à funerária James H. Cole Home for Funerals, em Detroit.
Respiração e olhos abertos
No momento em que um funcionário se preparava para iniciar o processo de embalsamamento, foram identificados sinais claros de vida: Timesha estava respirando e mantinha os olhos abertos. Diante da constatação, equipes de emergência foram imediatamente acionadas, e a jovem foi levada com urgência a um hospital.
Os médicos conseguiram mantê-la viva com o auxílio de um ventilador mecânico. No entanto, o período prolongado sem oxigenação adequada causou danos cerebrais hipóxicos graves, caracterizados por lesões irreversíveis no cérebro. O estado de saúde de Timesha não apresentou recuperação, e, cerca de oito semanas depois, em outubro de 2020, ela morreu no Children’s Hospital of Michigan.
A família ingressou com uma ação judicial contra a cidade de Southfield, responsabilizando o município pelo erro que levou à declaração equivocada de morte e às consequências fatais.
Após anos de disputa judicial, a cidade concordou em pagar US$ 3,25 milhões para encerrar o processo. Em comunicado oficial, Southfield reconheceu a tragédia, ressaltando que o episódio ocorreu em um contexto extremamente complexo, durante a pandemia de Covid-19.
“Reconhecemos que nenhuma resolução pode desfazer a profunda tragédia que ocorreu em 23 de agosto de 2020 ou aliviar a dor vivenciada pela família da sra. Beauchamp”, afirmou a cidade de Southfield no comunicado. “Este caso envolveu circunstâncias extraordinariamente difíceis que surgiram no complexo contexto de uma pandemia global”.
O advogado da família afirmou que nenhuma compensação financeira seria capaz de reparar o dano causado, mas avaliou o acordo como uma forma parcial de justiça.
“Finalmente, Timesha e sua família puderam obter parte da justiça que merecem”, afirmou.
Os familiares optaram por não comentar publicamente o desfecho, e o órgão responsável por supervisionar os serviços médicos da região não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
Por O Globo e The New York Times — Southfield
Fonte: @jornaloglobo







