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Falta de insumos no Hospital Regional atrasa cirurgia e idosa aguarda há 3 anos

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Dona Josefa, de 77 anos, vive uma rotina de dor e frustração. Há três anos, ela aguarda por uma cirurgia de hérnia abdominal no HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul). Apesar de todos os preparativos, exames, jejum e orientações médicas, o procedimento é sempre cancelado na última hora por falta de material cirúrgico.

A aposentada conta que procurou atendimento após sentir fortes dores na barriga. O diagnóstico foi de hérnia abdominal, condição que dificulta até as tarefas mais simples do dia a dia.

“É muita dor. Eu não como direito, não durmo direito. Minha cama até afundou de um lado para eu conseguir deitar a barriga. Me viro para um lado, para o outro e não durmo. Tenho dificuldade para tudo. Não posso andar muito, nem ir à igreja”, desabafa.

Segundo a família, nos últimos três meses ela se preparou diversas vezes para a cirurgia.
“Remarcam, eu pego a chave no posto e vou. Chegando lá, é a mesma história. Agora marcaram para janeiro, para ver se chegou o material”, afirma a diarista Fabiana Barbosa dos Santos.

O que é a hérnia abdominal?

A hérnia acontece quando um órgão ou tecido interno sai por uma abertura na parede muscular do abdômen, formando um caroço e causando dor, principalmente ao fazer esforço.

Os tipos mais comuns são:

  • Inguinal (na virilha)
  • Umbilical (ao redor do umbigo)
  • Incisional (em cicatrizes de cirurgias)

De acordo com o cirurgião geral e oncológico Walter Torres Ferrari, os casos pequenos são os mais perigosos.

“O conteúdo da barriga pode sair por esse buraco e ficar preso, o que chamamos de encarcerar. Isso pode causar inflamação e até morte do tecido. As hérnias grandes não têm tanto esse risco, mas trazem baixa qualidade de vida: o paciente não dorme bem, sente dor e perde força até para manter a postura”, explica.

O tratamento recomendado para a maioria das hérnias é a cirurgia com uso de tela sintética de polipropileno, que reforça a musculatura do abdômen.

O material é leve, resistente, vem em vários tamanhos e é disponibilizado gratuitamente pelo SUS.
Uma tela de 15 cm, por exemplo, custa cerca de R$ 60. É justamente a falta desse insumo que impede a cirurgia de Dona Josefa.

Em nota, o Hospital Regional informou que não comenta casos específicos por conta do sigilo médico e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Sobre a realização de cirurgias, disse que não houve suspensão e que, neste ano, foram feitas em média mais de 600 cirurgias por mês.

No entanto, o hospital não respondeu sobre a falta de materiais, motivo que tem impedido a cirurgia da paciente.

Fonte: primeirapagina

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