Via @portalg1 | PrĂłximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Edson Fachin defendeu, em discurso feito nesta segunda-feira, a separação entre os Poderes e afirmou que “nĂŁo Ă© legĂtimo” ao Supremo invadir a “seara do legislador”. Para o ministro, que assume o comando do Judiciário em setembro, com o tĂ©rmino do mandado de LuĂs Roberto Barroso, Ă© preciso “contenção” na atuação da Justiça.
— Cabe ao Poder Judiciário, e em especial a esse tribunal, proteger os direitos fundamentais, preservar a democracia constitucional e buscar a eficiĂŞncia da Justiça brasileira. Para fazĂŞ-lo, precisamos de contenção. NĂŁo nos Ă© legĂtimo invadir a seara do legislador. O respeito ao dissenso e a convivĂŞncia democrática sĂŁo lições tambĂ©m para todos os Poderes e todas as instituições — disse o ministro, durante a cerimĂ´nia de lançamento de um livro que celebra seus 10 anos na Corte.
Indicado para o STF em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff, Fachin ressaltou que os ministros da Corte nĂŁo devem ceder a “vontades pessoais ou pressões polĂticas”, nem atuar como atores do jogo partidário. “Ao direito o que Ă© do direito, Ă polĂtica o que Ă© da polĂtica”, disse, reforçando que juĂzes devem pautar-se exclusivamente pela “razĂŁo jurĂdica objetiva”.
Nos Ăşltimos meses, o STF e o Congresso protagonizaram uma sĂ©rie de crises causadas por decisões da Corte, como as medidas envolvendo as emendas parlamentares e a abertura de uma ação penal contra o deputado federal Alexandre Ramagem — rĂ©u na rama golpista. Sem citar casos especĂficos, Fachin alertou que a credibilidade da Justiça depende da sua capacidade de agir com isenção e responsabilidade.
— Nosso compromisso é com a justiça silenciosa, efetiva, com autonomia e independência da magistratura — afirmou.
O discurso foi acompanhado pelo ministro Dias Toffoli, também do STF, pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, além de outras autoridades e convidados.
Ao relembrar os dez anos desde sua posse, o ministro afirmou que o mundo mudou profundamente nesse perĂodo e defendeu uma “renovação de compromissos” com a democracia e a Constituição.
— Entendo que ser ministro do Supremo Tribunal Federal se trata do exercĂcio de um imperativo moral, Ă© uma obrigação que se assume pela estrita obediĂŞncia Ă Constituição, aos direitos humanos e fundamentais — afirmou.
Fachin tambĂ©m mencionou a importância de proteger direitos como liberdade, igualdade, dignidade, segurança, propriedade e os direitos dos povos indĂgenas e quilombolas, alĂ©m do meio ambiente e da ordem econĂ´mica e social, “tudo como está e nos termos em que está na Constituição, nada mais, nada menos”.
Por Mariana Muniz — BrasĂlia
Foto: Rosinei Coutinho/Supremo Tribunal Federal
Fonte:Â @portalg1






