Via @portalg1 | Um dos depoimentos mais importantes do julgamento que condenou o ex-vereador carioca Jairinho pela morte de Henry Borel, de 4 anos, veio de uma jovem de 18 anos que afirmou ter sido vítima de agressões do réu quando tinha apenas 5 anos.
O relato foi apresentado aos jurados durante os 11 dias do julgamento do caso Henry e ajudou a sustentar a tese da acusação de que Jairinho mantinha um histórico de violência contra crianças.
Segundo o depoimento, a jovem conheceu Jairinho durante o relacionamento dele com sua mãe. Ao ser questionada sobre episódios que viveu na infância, ela contou que era levada para motéis, onde sofria agressões dentro da piscina.
“Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Aí me soltava, eu respirava e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando até o chão várias vezes”, afirmou.
A testemunha também relatou outros episódios de violência física. Segundo ela, em uma ocasião, Jairinho apertou seu braço com tanta força que ela precisou usar gesso.
Durante o depoimento, a jovem explicou que nunca contou à mãe o que acontecia porque tinha medo de deixá-la triste.
“Eu falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste”, disse.
Descoberta após o fim do relacionamento
A mãe da jovem afirmou aos jurados que só tomou conhecimento das agressões cerca de um ano depois do término do relacionamento com Jairinho.
Segundo ela, a filha revelou os episódios enquanto assistia a uma reportagem sobre violência infantil.
“Ela começou a chorar e falou que ele fazia isso comigo. Ela falou que ele batia, batia na cabeça dela, torcia o braço dela”, relatou.
A mulher afirmou ainda que a filha jamais havia comentado qualquer agressão enquanto o relacionamento estava em andamento.
Depoimento reforçou acusação
A acusação utilizou o relato para sustentar que as agressões contra Henry não seriam um episódio isolado. Os promotores argumentaram que a testemunha descreveu comportamentos semelhantes aos que apareceram ao longo das investigações sobre a morte do menino.
Na madrugada de quinta-feira (4), após 11 dias de julgamento, Jairinho foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio contra Henry Borel.
Morte de Henry motivou denúncia
De acordo com os depoimentos apresentados no julgamento, mãe e filha decidiram procurar as autoridades após tomarem conhecimento da morte de Henry Borel, em março de 2021.
A mãe contou que procurou o pai do menino, Leniel Borel, para relatar o que havia descoberto. Já a jovem afirmou ter carregado por muito tempo um sentimento de culpa.
“Eu me senti muito culpada, porque achei que, se a gente tivesse feito alguma coisa, se a gente tivesse falado, não teria chegado onde chegou”, disse.
Em 8 de março de 2021, Henry foi levado sem vida ao hospital. Laudos indicaram hemorragia interna e laceração do fígado provocadas por ação contundente. Peritos ouvidos no processo apontaram que os ferimentos eram incompatíveis com a versão do casal de que a criança havia caído da cama.
‘A justiça matou o meu filho’
Leniel Borel, pai de Henry, disse que não houve justiça completa por Henry e criticou o perdão judicial concedido a Monique pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou ter havido uma “misoginia declarada” contra a mãe.
A decisão está longe de encerrar o caso. O Ministério Público recorreu, alegando irregularidades após a juíza ter mudado uma das perguntas feitas aos jurados, o que, segundo a acusação, contribuiu para uma mudança do entendimento sobre a responsabilidade de Monique.
Monique Medeiros já está em liberdade.
Jairinho permanece no presídio em Bangu, onde agora vai cumprir pena. Sua defesa também pretende pedir a anulação do julgamento.
Fonte: @portalg1





