Saúde

Estudo revela contaminação de mexilhões por microplásticos, alertando para riscos à saúde humana

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2026

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) revelou que os mexilhões podem atuar como uma via de entrada de microplásticos no organismo humano. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (15) na revista científica Ocean and Coastal Research.

Os cientistas observaram que esses moluscos, amplamente consumidos na alimentação, filtram a água para se alimentar e não conseguem distinguir microalgas, que fazem parte de sua dieta natural, de partículas de plástico presentes no ambiente aquático.

Experimento em laboratório

Para realizar o estudo, a equipe coletou exemplares da espécie Perna perna, conhecida como mexilhão marrom, na Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro. Os animais foram levados para laboratório, onde foram submetidos a diferentes condições controladas.

Os pesquisadores dividiram os mexilhões em três grupos e ofereceram soluções contendo apenas microalgas, apenas microplásticos ou uma mistura dos dois elementos. Após uma hora, a análise da água mostrou que os moluscos consumiram os materiais sem distinção.

Segundo a pesquisa, no tanque com mistura de microalgas e microplásticos, permaneceram cerca de 48% das microalgas e 52% das partículas plásticas. Os resultados indicam que a espécie não apresenta seletividade durante a alimentação.

Riscos associados aos microplásticos

Os microplásticos são fragmentos gerados pela degradação de materiais plásticos maiores, que se espalham pelo solo, pela água e pelo ar. Essas partículas podem ter origem em embalagens, garrafas, pneus, tecidos, tintas e outros resíduos descartados no meio ambiente.

De acordo com os pesquisadores, além das partículas em si, os microplásticos podem carregar contaminantes químicos aderidos à sua superfície. Como os mexilhões são organismos filtradores, existe potencial para o acúmulo desses compostos em seus tecidos.

O cozimento dos mexilhões não elimina microplásticos nem reduz a presença de contaminantes químicos associados a essas partículas, o que mantém a exposição ao consumo.

A pesquisadora Raquel de Almeida Ferrando Neves, coautora do estudo, ressalta que o risco de exposição depende da frequência de consumo. Pessoas que ingerem mexilhões com maior regularidade tendem a ter contato mais frequente com possíveis contaminantes acumulados nesses organismos.

Impacto ambiental e monitoramento

Os autores destacam que o comportamento observado não deve se limitar à área onde os animais foram coletados. Como a espécie está distribuída ao longo do litoral brasileiro, o padrão de alimentação tende a ser semelhante em diferentes regiões.

Para reduzir os riscos ambientais e à saúde, os pesquisadores defendem a adoção de políticas públicas voltadas à diminuição do descarte de resíduos nos oceanos e à redução do uso de plásticos descartáveis.

A equipe também aponta o monitoramento contínuo de áreas de maricultura como uma medida importante para acompanhar os níveis de contaminação e contribuir para a segurança do consumo de frutos do mar no futuro.

Fonte: cenariomt

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