Saúde

Estudo do Inca busca reduzir mortes relacionadas ao pulmão: lançamento nesta quarta-feira (1º)

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2026

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) iniciou, nesta quarta-feira (1º), um estudo inédito para avaliar a viabilidade da implementação de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e com financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca, tem como objetivo gerar evidências científicas para orientar a criação de uma diretriz nacional voltada à detecção precoce da doença.

O estudo terá duração de dois anos e deve contar com pelo menos 397 participantes, com possibilidade de ampliação. A seleção dos pacientes será feita em conjunto com o Programa de Cessação de Tabagismo da rede municipal, que reúne cerca de 50 mil pessoas. O tabagismo está associado a aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão.

A estratégia prevê o uso de tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), método que pode reduzir a mortalidade pela doença em até 20%. Quando associado à interrupção do tabagismo, esse índice pode chegar a 38%, segundo dados do Jornal Brasileiro de Pneumologia.

Estudos internacionais apontam que o rastreamento direcionado a grupos de risco pode reduzir significativamente os diagnósticos em estágios avançados, passando de cerca de 90% para 30% dos casos. No Brasil, no entanto, a prática ainda não faz parte das diretrizes nacionais, o que reforça a importância da pesquisa para embasar políticas públicas.

Os critérios de elegibilidade seguem recomendações médicas nacionais e incluem pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que deixaram o hábito há até 15 anos, com histórico de consumo elevado de cigarros. Em caso de diagnóstico positivo, os pacientes serão encaminhados para acompanhamento e tratamento no Hospital do Câncer I, unidade de referência do Inca no Rio de Janeiro.

O estudo é liderado pelo epidemiologista Arn Migowski, que destacou a importância da detecção precoce. “A proposta é identificar o câncer antes do surgimento de sintomas e incentivar a cessação do tabagismo”, afirmou. Segundo ele, a pesquisa também vai avaliar a viabilidade do protocolo na prática do SUS, incluindo adesão, riscos e eficácia.

Para especialistas, a cooperação entre setor público e privado pode ampliar o alcance de iniciativas na área da saúde. Representantes da AstraZeneca afirmaram que o objetivo vai além do fornecimento de medicamentos, buscando contribuir para mudanças no cenário da doença no país.

Dados do Inca mostram que o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no Brasil. Em 2024, foram registrados 32.465 óbitos, número superior à soma das mortes por câncer de próstata e mama no mesmo período. A alta mortalidade está ligada ao diagnóstico tardio: cerca de 84% dos casos são identificados em estágios avançados, resultando em uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 5,2%.

As estimativas indicam ainda que o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, consolidando a doença como um dos principais desafios de saúde pública.

Fonte: cenariomt

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