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Estudo de Stanford e Harvard comprova que a fé é aliada contra vícios

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Um novo e abrangente estudo revela que a espiritualidade não é apenas uma questão de crença pessoal, mas um fator importante na saúde pública para a prevenção e recuperação do uso de álcool e outras drogas.

Os resultados ajudam a consolidar uma ideia já bastante difundida no meio religioso: a de que a fé está associada a um menor risco de vício em álcool e outras drogas.

Na pesquisa, publicada na revista de Psiquiatria da Journal of the American Medical Association (JAMA Psychiatry) e conduzida por pesquisadores de instituições como as universidades de Harvard e Stanford, os autores revisaram estudos que avaliaram fatores como a frequência a atividades religiosas, o envolvimento em práticas espirituais e a importância pessoal da fé.

Ao comparar esses dados com indicadores de uso nocivo de álcool e outras drogas, os autores observaram que, de modo geral, indivíduos com maior engajamento espiritual apresentaram menores índices de consumo problemático ao longo do acompanhamento.

Os resultados

A pesquisa, que abrangeu mais de meio milhão de participantes, revela que o envolvimento espiritual está associado a uma redução de risco de 13% tanto na prevenção do uso quanto na recuperação de dependentes. Os benefícios são ainda mais expressivos para indivíduos que frequentam serviços religiosos semanalmente, apresentando uma proteção de 18% contra o consumo dessas substâncias.

A maior parte das evidências (87%) foca na prevenção, sugerindo que o engajamento espiritual funciona como um “escudo” para jovens, retardando a iniciação no uso de drogas — o que é vital para evitar vícios crônicos na vida adulta.

No campo da recuperação, o estudo reafirma a eficácia de modelos como os Alcoólicos Anônimos (AA), que utilizam o despertar espiritual e a conexão com um “poder superior” para construir resiliência e esperança.

Além do suporte social, pesquisas na área da neurociência sugerem que práticas espirituais podem influenciar regiões cerebrais ligadas à regulação do estresse e ao processamento de recompensas.

O levantamento consolida dados de duas décadas e destaca que quase todos os efeitos analisados demonstram um impacto protetivo e positivo para a saúde pública.

Ainda assim, os próprios autores alertam que associação não significa causalidade. A espiritualidade pode estar ligada a outros fatores protetivos, como redes de apoio social mais fortes, maior integração comunitária ou estilos de vida mais estruturados.

Novas diretrizes para o consultório

Diante desses dados, os autores defendem uma mudança na postura clínica. A recomendação é que profissionais de saúde integrem a espiritualidade no atendimento de forma ética, respeitando sempre a autonomia do paciente e a diversidade de crenças.

Os especialistas sugerem que médicos façam perguntas diretas, como: “A religião ou espiritualidade são importantes para você ao pensar sobre sua saúde?” ou “Você gostaria de ter alguém com quem conversar sobre assuntos espirituais?”.

O objetivo não é converter o paciente, mas reconhecer a fé como um recurso de saúde que pode fortalecer o tratamento.

O estudo também aponta para a necessidade de parcerias entre sistemas de saúde pública e comunidades de fé. Tais colaborações podem expandir o acesso a recursos que combatem o isolamento social e a perda de sentido, fatores frequentemente associados às chamadas “mortes por desespero”.

Para os pesquisadores, ignorar a dimensão espiritual do paciente pode significar o abandono de uma ferramenta terapêutica valiosa e apoiada por evidências consistentes.

Problema global

Todos os anos, mais de 3 milhões de mortes no mundo estão relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, enquanto o uso abusivo de drogas (overdose) causou quase 9 mil mortes em 2023, metade das vítimas de mortes violentas entre 2022 e 2024 haviam consumido alguma substância antes de morrer.

O custo para os governos também é alarmante. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o combate às drogas custa mais de R$ 50 bilhões anualmente aos cofres públicos brasileiros. E o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 9 bilhões com tratamento de dependentes químicos só entre 2005 e 2015.

Fonte: gazetadopovo

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