Cenário Agro

Estudo comprova: Braquiária aumenta produtividade da soja em até 15%

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2026

Uma análise em escala nacional conduzida pela Embrapa confirmou o potencial das gramíneas tropicais de raízes profundas, como a braquiária, para impulsionar a produtividade da soja e melhorar a saúde do solo. O estudo, publicado na revista científica Agronomy, reúne resultados de pesquisas realizadas em diferentes regiões do país e fortalece o papel dessas plantas na intensificação sustentável da agricultura.

O trabalho foi desenvolvido a partir de uma meta-análise — método que consolida dados de diversos estudos — conduzida por pesquisadores da Embrapa Cerrados, em parceria com a Embrapa Solos, o Instituto Federal Catarinense e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Ao todo, foram analisados 55 estudos realizados em 33 localidades brasileiras, abrangendo ensaios de campo até fevereiro de 2026.

Segundo a pesquisadora Ieda Carvalho Mendes, o objetivo foi preencher uma lacuna científica sobre os impactos dessas gramíneas no sistema produtivo da soja. “Ainda faltava uma avaliação em escala nacional. Esse trabalho mostra, de forma consistente, os benefícios dessa prática”, destacou.

Mais produtividade e retorno financeiro

Os resultados indicam que o uso de gramíneas tropicais como culturas antecessoras — especialmente do gênero Urochloa — pode aumentar a produtividade da soja em cerca de 15%. Na prática, isso representa um ganho médio de 515 quilos por hectare e uma receita adicional estimada em US$ 198 por hectare.

Mesmo considerando os custos de implantação, que variam entre US$ 9 e US$ 30 por hectare com sementes, o retorno econômico se mostra altamente favorável ao produtor.

Solo mais saudável e produtivo

Além dos ganhos diretos na produção, o estudo também revelou melhorias significativas nos indicadores biológicos do solo. Houve aumento de 35% na atividade da enzima arilsulfatase e de 31% na β-glicosidase, além de avanços na fosfatase ácida (+20%), no carbono da biomassa microbiana (+24%) e no carbono orgânico (+11%).

De acordo com os pesquisadores, as enzimas do solo responderam com maior intensidade ao uso das gramíneas, reforçando seu papel como indicadores sensíveis da qualidade do solo e da atividade biológica.

Resultados consistentes e avanço da pesquisa

Dos 173 comparativos analisados, 154 apresentaram ganhos de produtividade, enquanto apenas 19 indicaram perdas — na maioria dos casos associadas a falhas de manejo e sem significância estatística relevante. Outro dado que chama atenção é o crescimento no número de estudos recentes, evidenciando o interesse crescente pelo tema no meio científico e produtivo.

Bioinsumo vivo e caminho para sustentabilidade

A pesquisa reforça um conceito cada vez mais presente no campo: o das gramíneas tropicais como “bioinsumos vivos”. Mais do que simples plantas de cobertura, elas desempenham funções essenciais, como a melhoria da estrutura do solo, aumento da infiltração de água, estímulo à atividade microbiana e maior ciclagem de nutrientes.

Nesse contexto, a adoção dessas espécies em sistemas de produção de soja se apresenta não apenas como uma técnica agronômica, mas como uma estratégia de longo prazo. “É um investimento no solo como ativo vivo, capaz de promover produtividade, sustentabilidade e resiliência dos agroecossistemas”, concluiu a pesquisadora.

O estudo consolida, assim, evidências de que práticas integradas e baseadas na biologia do solo tendem a ocupar papel central na agricultura do futuro.

Fonte: cenariomt

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