âMe foi revelado em um sonhoâ, nĂŁo Ă© o tipo de frase que vocĂȘ leria em um artigo cientĂfico, mas algumas grandes epifanias da histĂłria da humanidade jĂĄ se explicaram dessa forma. Frankenstein, tornado livro em 1818, foi, antes de tudo, uma vĂvida imagem presenciada por Mary Shelley durante sonhos intranquilos. âEu vi o horrendo espectro de um homem estirado, que entĂŁo, sob a ação de algum mecanismo poderoso, mostrava sinais de vida, e se contorcia em um movimento inquieto, semivitalâ, escreve a autora na introdução da obra.
Quase um sĂ©culo e meio depois, foi o mĂșsico Paul McCartney quem acordou com uma melodia hipnotizante grudada na cabeça â um lampejo de ideia que, de um sonho, logo se transformaria na canção Yesterday, de 1965.
As ârevelaçÔesâ trazidas pelos sonhos tĂȘm, por muito tempo, intrigado cientistas. Dentro da neurociĂȘncia, o campo de estudos que explora como podemos moldar o que passa na cabeça de quem dorme Ă© a engenharia dos sonhos â mas, estudar o mundo onĂrico sempre foi uma tarefa complicada, e continua difĂcil saber o que Ă© e o que nĂŁo Ă© causado diretamente pelo sono.
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Em meio a esse impasse, pesquisadores tĂȘm experimentado com a reativação guiada de memĂłrias (ou Targeted memory reactivation, TMR). Esse mĂ©todo usa âinstruçÔesâ sensoriais para fortalecer memĂłrias especĂficas, que, entĂŁo, sĂŁo manifestadas durante o sono. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de sugestĂ”es sonoras. Basta expor alguĂ©m a um som especĂfico durante alguma dada situação, e, depois, tocar esse som novamente enquanto a pessoa dorme. Nas fases onde o sono Ă© mais profundo, o barulho pode manifestar, no sonho, a situação com a qual ele foi associado.
Um novo experimento feito por neurocientistas da Universidade do Noroeste, nos EUA, mostrou o quanto que essas sugestĂ”es sonoras podem influenciar sonhos â e o quanto que os sonhos, por sua vez, podem nos ajudar a resolver problemas da vida real. Os resultados foram publicados nesse dia 5, no periĂłdico Neuroscience of Consciousness.
Os pesquisadores reuniram 20 participantes, todos com experiĂȘncias prĂ©vias relacionadas a sonhos lĂșcidos (aqueles nos quais percebemos que estamos sonhando), e propuseram a eles uma sĂ©rie de quebra-cabeças lĂłgicos â cada contendo sua prĂłpria trilha sonora, uma mĂșsica que tocava junto a cada problema. Os desafios eram complexos, e, ao fim do limite de tempo, geralmente acabavam sem solução. As pessoas, entĂŁo, iam para a cama, dentro do laboratĂłrio, conectados a um aparelho de polissonografia, que mediria seus sinais fisiolĂłgicos durante o sono.
Expostos Ă s mesmas mĂșsicas enquanto dormiam, os participantes nĂŁo apenas sonhavam com o desafio correspondente, como tambĂ©m acordavam ainda mais dispostos a resolver os quebra-cabeças.
No total, os sonhos de 12 dos 20 participantes manifestaram, com mais frequĂȘncia, os quebra-cabeças especĂficos associados Ă s trilhas sonoras que tocaram durante a noite. Para essa parcela, solucionar os desafios que apareceram durante o sono mostrou-se mais fĂĄcil do que solucionar aqueles que nĂŁo apareceram.
Aqueles cujos sonhos incorporaram, de alguma forma, o quebra-cabeça lógico, tinham 42% de chance de achar a solução na manhã seguinte. Um contraste significativo aos apenas 17% dos que não sonharam com nada relevante, mas encontraram a resposta dos mesmos desafios.
Nos dias de teste, os participantes chegaram ao laboratĂłrio mais ou menos duas horas antes do horĂĄrio em que costumavam cair no sono. LĂĄ, os desafios eram apresentados em sequĂȘncia, cada um com um limite de tempo de 3 minutos.
Os temas variavam: em um dos quebra-cabeças, os participantes precisavam rearranjar cinco palitos de fĂłsforos dispostos em um plano, de forma a criar um desenho especĂfico. Outros usavam figuras e sĂmbolos para representar frases especĂficas, que deveriam ser decodificadas. Mas todos pediam que o participante, de alguma forma, pensasse fora da caixa.
Depois, era hora de dormir (com eletrodos colados por todo o rosto). Durante a fase REM (âmovimento rĂĄpido dos olhosâ, em inglĂȘs), o estĂĄgio do sono no qual sonhamos, os pesquisadores tocaram as trilhas de parte dos desafios continuaram sem solução.
âMesmo sem lucidez, um sonhador virou para um personagem do sonho e pediu ajuda para resolver o quebra-cabeça que estĂĄvamos sugerindo [com a trilha sonora]. Outro recebeu a sugestĂŁo do quebra-cabeça das âĂĄrvoresâ e acordou sonhando que estava andando por uma floresta. Outro sonhador recebeu a sugestĂŁo de um quebra-cabeça sobre selvas e acordou de um sonho em que estava pescando na selva pensando naquele problemaâ, relata Karen Konkoly, autora Ă frente do estudo.
Os resultados do estudo sugerem que sonhos â mesmo os nĂŁo-lĂșcidos â podem ser influenciados significativamente por sugestĂ”es externas. Ainda assim, nĂŁo Ă© o suficiente para dizer, com certeza, se sonhar com um desafio especĂfico aumenta as chances de solucionĂĄ-lo. Ă possĂvel, por exemplo, que a curiosidade pela solução de um desafio especĂfico aumente as chances do sonhador, ao mesmo tempo, sonhar com o problema e de fato solucionar a questĂŁo.
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Fonte: abril






